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EXTERMÍNIO DO PENSAMENTO: bom senso e coerência diante da IA

Ilustração surrealista de uma mente humana emergindo de uma estrutura geométrica escura feita de circuitos e códigos binários, com fluxos de água cristalina, fios de luz dourada e cores vibrantes simbolizando criatividade, pensamento livre e expansão interior, em contraste com um fundo cinza e frio.

A praticidade letal

 

A incoerência estressante

Desde muito jovem, sempre tive uma certa repulsa natural a todo tipo de autossabotagem a que pessoas inteligentes e capazes que conheci simplesmente se entregavam. Esta autossabotagem servia para se esconderem de responsabilidades, para não enfrentarem desafios ou mesmo para tirarem vantagem usando uma muleta como desculpa para atraírem a compaixão para si — em situações em que não era a falta de capacidade ou deficiência real, mas um jeito muito estranho de ganhar pertencimento, favores e, mais tarde, comodidades e privilégios no mundo do trabalho. Hoje temos a Inteligência Artificial, que funciona como uma nova "muleta" tecnológica.

É estranho, primeiro porque, agindo assim, quem nasce com um talento e o reconhece em si mostra ingratidão à própria Fonte que lhe concedeu o talento — o Criador de todas as coisas —; e segundo porque, ao invés de exercer seu potencial, prefere adotar o lema: o mundo é dos espertos (malandros). Muitas pessoas jamais compreenderam o quanto este tipo de crença transforma-se em um hábito e gera pessoas do mais baixo nível como ser humano.

Sem querer discutir certo ou errado, a questão para se refletir é que, atrelado a esta crença que perdura até hoje, o pensamento utilitarista e prático substituiu a capacidade reflexiva e, praticamente, eliminou a coragem de pensarmos por nós mesmos. Não pensar em qualquer coisa, mas pensar na vida, sua grandeza, sua beleza — uma oportunidade para nossa melhor expressão como ser humano —, que hoje é reduzida à expressão do que possuímos, aparentamos ou conquistamos para nós e nossas bolhas de convivência.

Será que a evolução da humanidade sempre esteve destinada ao egoísmo? Era mesmo para que o individualismo e o egoísmo prevalecessem? Será que a expressão da individualidade autêntica das pessoas realmente desapareceu ou, simplesmente, a grande maioria das pessoas adotou a estratégia do esperto desinteligente? Neste contexto, explica-se por que existe discriminação, perseguição, preconceitos, acusações gratuitas e injustiças sobre as pessoas que ousam demonstrar um pouco de discernimento e criatividade. Porque incomoda, pois o normal para ser aceito, pelos padrões da mediocridade, deve-se fazer o contrário.

 

Ataque à educação humanizadora

Neste período histórico, o pensamento digital tem assumido proporções insensatas e influenciado a todos nós; a colheita tem sido o extermínio do bom senso e da coerência, onde o propósito da criatividade humana tem servido, unicamente, à praticidade da vida. O ataque ao sistema educacional é um exemplo em que os saberes — que levam ao autoconhecimento e à interpretação da realidade, como ela é — foram sequestrados pelo paradigma do utilitarismo, para o qual a elevação do pensamento humano não interessa.

O pensamento prático e o fazer prático utilitarista faz oposição àquilo que mais nos diferencia — o pensamento não linear. Quando somos pressionados a dar respostas a tudo, a ter resultados para ontem, em meio a um caos de barulho e pressa, deixamos de dar aquele tempo necessário que o nosso processo cognitivo natural precisa, para se desenvolver com liberdade.

Neste mundo, a função das nossas habilidades tem servido para criar obsolescências e precariedades de vida. É isto que alimenta a corrida dos ratos, uma corrida de cem metros infindável. Contudo, isto nunca escapará da lei da semeadura e da colheita. Colhemos uma pandemia de ansiedade, de estresse e de esgotamento mental, por conta do que estamos plantando hoje. O desrespeito proposital e a desvalorização de nossa capacidade de reflexão também explicam o brutal ataque aos sistemas educacionais de nosso tempo.

Seguir um fluxo para a vida — e não somente para a sobrevivência —, é contrário ao fluxo da perpetuação do status quo, o qual, convenientemente, faz vistas grossas a todo e qualquer avanço que traga uma crítica ao pensamento automatizado e à reprodução da falência do pensamento humano, que este ensaio insinua, por exemplo, sobre os efeitos da inteligência artificial, tão badalada pelo mundo afora.

 

A mente humana é líquida

A água é um elemento natural incrível por sua capacidade de nutrir a vida, de construir caminhos, de seguir as leis físicas e expressar sua força quando submetida a qualquer tentativa de encarceramento. Se o espaço para a água é pequeno, tende a transbordar; se a rocha é dura demais, usa o tempo para desgastá-la, pois sua existência transcende os calendários humanos. Quanto a isto, podemos nos tranquilizar, pois nesta reflexão não estamos julgando e condenando a realidade nua e crua de nossa imperfeição como civilização moderna, pois assim tem sido construída ao longo de nossa existência neste planeta.

Mas o transbordamento de nossas mentes é algo inevitável. Muitas pessoas neste mundo estão em ponto de ruptura com este modus operandi da automação humana e sua planejada submissão aos algoritmos de aceitação social. Estamos percebendo o quão incoerente é este modelo de vida, que justifica tanta falta de bom senso. Bom senso, aliás, que nasce conosco, na essência, e um dia deixamos de lado, pois, como diz a frase: “é o que temos para hoje, então sejamos práticos”.

Pensar é crime? Buscar soluções ao invés de recrudescer problemas é loucura? Acreditar no potencial humano é bobagem? Negar a sabedoria da vida é um mal necessário? Precisamos aumentar nossos problemas, além de nosso desamparo existencial natural? É lícito tomar o tempo das pessoas com algo insustentável, desumano e programado?

Não temos uma receita para responder a estes questionamentos. Justamente porque cada um é cada um. Aprendemos que o bom uso de nossos talentos depende se queremos viver ou somente sobreviver. Cada direção tem um preço! Congelar nossas mentes ou deixá-las fluir depende de nossas escolhas. Qual caminho a seguir é uma decisão para refletirmos, especialmente quando temos a clareza de que um dia não teremos mais tempo para decidir!

 

Conclusão

Portanto, a verdadeira resistência ao utilitarismo e à sedução das muletas tecnológicas reside na nossa capacidade de insubordinação mental. Ao permitirmos que nossa essência flua livremente como a água, rompendo os cercados do pensamento automatizado, escolhemos o caminho da vida em sua plenitude e não apenas da sobrevivência. Valorizar o pensamento não linear é o que nos permite honrar a grandeza humana e o talento que nos foi confiado, garantindo que nossa jornada seja marcada pela autêntica autoralidade antes que o tempo de decidir se esgote.

 

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. O que o autor quer dizer ao classificar a Inteligência Artificial como uma "nova muleta tecnológica"?

A IA é vista como uma ferramenta que valida e amplia o comportamento de autossabotagem de pessoas capazes que preferem fugir de responsabilidades e desafios para atrair compaixão ou obter privilégios e comodidades no trabalho sem exercer seu real potencial.

2. Como o "pensamento utilitarista" impacta a coragem individual?

Este modelo de pensamento substituiu a capacidade reflexiva, eliminando a coragem de as pessoas pensarem por si mesmas sobre a grandeza da vida; em vez disso, a existência é reduzida apenas ao que possuímos ou conquistamos para nossas bolhas sociais.

3. Por que a autenticidade e o discernimento são frequentemente alvo de perseguição?

Porque a demonstração de discernimento e criatividade incomoda os padrões da mediocridade. Para ser aceito nesses padrões, espera-se que o indivíduo faça o contrário de pensar criticamente, o que explica a discriminação contra quem ousa ser autêntico.

4. De que maneira o sistema educacional foi "sequestrado"?

O ataque à educação humanizadora ocorre porque os saberes voltados ao autoconhecimento e à interpretação da realidade foram substituídos pelo paradigma do utilitarismo, um sistema que não tem interesse na elevação do pensamento humano.

5. Qual é o papel do "pensamento não linear" nesta versão do texto?

O pensamento não linear é definido como o elemento que mais nos diferencia das máquinas e do sistema utilitarista. Ele exige um tempo de maturação que o processo cognitivo natural precisa para se desenvolver com liberdade, indo contra a pressão por resultados imediatos.

6. O que o autor define como a "corrida dos ratos"?

É descrita como uma "corrida de cem metros infindável" onde as habilidades humanas são usadas apenas para criar obsolescências e precariedades de vida, alimentando um ciclo que resulta em pandemias de ansiedade e esgotamento mental.

7. Qual é a crítica feita ao "pensamento automatizado"?

O autor critica a reprodução da falência do pensamento humano, que é facilitada pela IA e pela manutenção do status quo. Este sistema faz "vistas grossas" para qualquer avanço que traga uma visão crítica sobre como estamos apenas sobrevivendo em vez de vivendo.

8. O que a metáfora da "mente humana líquida" representa?

Representa a força e a resiliência da essência humana. Assim como a água transborda se encarcerada ou desgasta a rocha com o tempo, a mente humana tende a romper com modelos de automação e algoritmos que tentam limitar sua expressão.

9. Por que o autor questiona a submissão aos "algoritmos de aceitação social"?

 Porque essa submissão é vista como um modelo de vida incoerente que nos obriga a abandonar o bom senso nato em favor de uma praticidade vazia, resumida na frase: “é o que temos para hoje, então sejamos práticos”.

10. Qual é a escolha definitiva apresentada ao final do ensaio?

A decisão entre viver ou somente sobreviver. O autor alerta que o uso dos nossos talentos e a decisão de deixar a mente fluir ou congelar dependem de escolhas conscientes, que devem ser feitas antes que percamos a clareza ou o tempo para decidir.

 

 

Para visualizar essa reflexão de forma mais imersiva, convido você a assistir ao vídeo AQUI

 

 

 

 

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