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Testemunho: nossa passagem pela terra significará apenas uma breve contribuição

MEMÓRIAS

Cumpra sua missão, vá embora e deixe a paz

 

Não confie somente em sua própria fala

Em um dia distante do passado, alguém muito querido me disse: muitas pessoas me convidam para pescar com elas, mas é junto com você que eu gosto de pescar! Hoje, relembrando o fato de que pouco depois desta fala, ele logo partiu deste mundo, acho que este momento merece um registro escrito.

As pessoas costumam expressar em palavras aquilo que reflete seus pensamentos, desde os mais superficiais até os mais profundos,como uma síntese de seu entendimento e perspectiva de vida. Neste exercício contínuo, tudo aquilo que é falado e ouvido parece ser mais impactante que aquilo que é pensado e escrito, pois são duas formas de comunicação que se diferenciam pelo tempo de reflexão e preparo da mensagem.

Embora, as palavras escritas pareçam ser mais frias que as palavras ditas, pois diferem de uma conversa pessoal, onde podemos sentir o timbre da voz, a velocidade da fala e a expressão de quem nos emitiu uma mensagem, a escrita envolve mais elementos que completam a intenção velada no coração de uma pessoa. Assim, o que ficou em minha memória foi uma expressão sincera de amor, sem menosprezo a ninguém.

Por isto, muitas falas ficam memorizadas apenas para aqueles que ouviram a mensagem, enquanto as palavras escritas podem ficar para a posteridade. Por esta perspectiva, também podemos reler e reinterpretar textos escritos, conforme nosso grau de compreensão, que nos leva a entender, também, as próprias palavras proferidas pelas pessoas, sob a lupa do discernimento e da cognição desenvolvida durante o processo de leitura.

Isto posto, nossas últimas palavras ditas ou escritas neste mundo, sem reflexão, podem ser geniais ou catastróficas, especialmente, quando o dito pode ser drasticamente mudado no espaço e tempo, misturando-se a diferentes contextos e interpretações do momento. Este risco é dramaticamente reduzido, quando o que é dito fica registrado na linguagem escrita, datada na história.

 

Não temer o testemunho

Neste aspecto, aprendemos a interpretar gestos sem palavras, olhares significativos e a própria beleza da alma nas pessoas que nos cercam ou que cruzam nossos caminhos. O que foi um aceno de afetividade para mim na época, hoje é um legado que posso testemunhar a todas as pessoas que me são próximas.

Assim, enquanto as palavras ditas são imediatas e, nem sempre, bem refletidas, antes de serem pronunciadas, as palavras escritas, além de transcender o tempo de vida de um autor, ainda podem ser fontes claras e condutoras de novas criações, como sementes de pensamentos. No fundo, aquela pessoa tão querida estava cumprindo sua missão de amor, que, igualmente, caberia junto a qualquer pessoa com quem ele estivesse. Não tenho dúvida alguma de que ele acreditava que eu jamais esqueceria daquele dia e, em meu testemunho e memória, quero honrá-lo diante de todas as pessoas que tiveram o privilégio conhecê-lo.

Se falar sem pensar é um risco, por outro lado, a espontaneidade plena que nos vem na forma de fala, tem uma origem em nossa essência, isolada de qualquer conhecimento ou influência prévia. Igualmente, o silêncio também é uma expressão natural daquilo que nós realmente somos, em um dado espaço e momento, diante de um fato ou fenômeno, ou seja, algo que conjuga sentimentos profundos, sensibilidade e serenidade.

Esta percepção de fração de segundos, muitas vezes se confunde com nossas inspirações, intenções e vontades mais sagradas, que muitas vezes seguramos dentro de nós por causa de amarras culturais, medo, timidez ou outro tipo de freio internalizado em nossas mentes ao longo de nossas jornadas. Mas, quando vem genuinamente de nossos corações da forma mais autêntica e corajosa possível, dificilmente pode ser calada, tamanha é sua força!

Às vezes, funcionamos como transmissores de mensagens que, conscientemente, acharíamos impossível poder formular. Quando ouvimos alguém falando com o coração, percebemos imediatamente uma conexão profunda em nível de significado e propósito comum. Assim, também, testemunho todas as lágrimas derramadas pelos que já partiram, pois honraram o legado de amor que aquelas pessoas conseguiram deixar marcado em nossos corações, sem distinção.

É, muitas vezes, o testemunho de que nossos maiores talentos surgem a partir de nossa entrega à espontaneidade, que nos transforma em construtores de algo superior alinhado às leis naturais (a lei da semeadura e da colheita; a lei do retorno; a lei da vivência; a lei do espelhamento e a lei de nossa finitude), que move a missão individual de todos nós, em prol da existência plena.

Assim, por exemplo, quando admitimos nossa própria finitude, fica implícita a urgência de buscarmos a grandeza da alma desatrelada de uma simples reação ao mundo e à realidade, através da assunção consciente de nossa potência criativa que amplie os horizontes conhecidos.

 

Feito e perfeito

Quando o que se planeja precisa ser alterado, pela vivência e pela experiência, percebemos o quanto nossas racionalizações são passageiras, pois costumamos idealizar o perfeito. Por isto, a ansiedade pelo perfeito muitas vezes nos impede de sermos espontâneos para tentar fazer algo. Depois que algo realmente grandioso e criativo se concretiza, precisamos refletir se, de fato, é uma obra unicamente humana ou tem algo a mais, de sagrado e divino.

A partir do momento que algo segue as leis naturais, que não corrompe nossos corações, que não prejudica as pessoas e que se volta para o bem comum e para o engrandecimento de nossos bons sentimentos, paz interior e harmonização com o universo, há uma grande chance de que exista uma influência energética que está além de nossas limitações humanas. Contudo, se nos apegarmos ao ideal da perfeição humana, jamais atingiremos o patamar descrito.

Assim, para cada passo dado em direção ao infinito de nossas almas, talvez seja necessário abrirmos nossos corações para a grandiosidade de nossa existência e não os fechar para a pequenez da perfeição humana. Se assim o fizermos, quem sabe percamos o medo de existir plenamente e possamos nos sentirmos verdadeiramente livres para cumprir nossas missões, que não estão definidas pelos nossos egos mas, provavelmente, por um Plano Maior que precisa, necessariamente, de nossa unidade como seres humanos e uma forte conexão com o Criador de todas as coisas.

 

Conclusão

O registro escrito consolida-se como um ato de honra e transcendência, capaz de transformar a efemeridade de uma fala espontânea — como o convite para uma pescaria — em um legado eterno que educa a posteridade. Ao alinhar a vida às leis naturais (como a semeadura, o espelhamento e a finitude) e renunciar à busca pela perfeição humana, o indivíduo liberta sua essência para atuar como um transmissor de mensagens sagradas. Em última análise, a escrita é a ferramenta que nos permite testemunhar a beleza da alma e cumprir, com paz e liberdade, a missão definida pelo Plano Maior e pela conexão com o Criador.

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Por que o registro escrito é considerado superior à fala para a posteridade?

Enquanto as palavras ditas são imediatas e nem sempre refletidas, as palavras escritas transcendem o tempo de vida do autor e funcionam como sementes de novos pensamentos, transformando a efemeridade da fala em um legado eterno.

2. Qual é o risco de basear a comunicação apenas na fala sem reflexão?

Palavras ditas sem reflexão podem ser catastróficas, pois seu sentido pode ser drasticamente alterado pelo contexto e interpretações do momento; esse risco é reduzido quando o registro é feito na linguagem escrita e datado na história.

3. O que a história da pescaria exemplifica sobre a "missão" humana?

Ela exemplifica uma missão de amor cumprida através de uma expressão sincera e espontânea, mostrando que momentos simples podem se tornar testemunhos valiosos da beleza da alma.

4. De onde vem a espontaneidade autêntica descrita no texto?

A espontaneidade plena tem origem na nossa essência, sendo uma força que surge do coração de forma corajosa, isolada de influências prévias ou amarras culturais.

5. Como o autor define o papel do silêncio na comunicação?

O silêncio é uma expressão natural do que realmente somos, conjugando sentimentos profundos, sensibilidade e serenidade em um dado momento.

6. Quais são as "leis naturais" que devem guiar nossas ações?

As leis citadas são: a lei da semeadura e da colheita, a lei do retorno, a lei da vivência, a lei do espelhamento e a lei da finitude.

7. Como a consciência da finitude humana influencia nossa busca pela grandeza?

Admitir a própria finitude gera uma urgência em buscar a grandeza da alma e assumir a nossa potência criativa, expandindo os horizontes além da simples reação à realidade.

8. Por que o apego à perfeição humana pode ser um obstáculo?

A ansiedade pelo perfeito e as racionalizações passageiras muitas vezes impedem a espontaneidade e bloqueiam a realização de algo verdadeiramente grandioso e divino.

9. Como identificar se uma obra ou ação possui influência do sagrado e divino?

Uma obra tem influência divina quando segue as leis naturais, não corrompe o coração, não prejudica as pessoas e se volta para o bem comum e a paz interior.

10. O que define a nossa verdadeira missão na terra?

Nossa missão não é definida pelo ego, mas por um Plano Maior que exige a unidade entre os seres humanos e uma conexão profunda com o Criador de todas as coisas.


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Assista a um vídeo anime explicativo deste texto, dentre outros, clicando AQUI

 

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