Nossas lágrimas A beleza da desilusão Ao longo de nossos encontros e desencontros, não há maior flagrante do que observar a solitude de um olhar entristecido. Em um mundo de aparências em que as pessoas precisam se mostrar sempre alegres, motivadas e cheias de energia aparente, nenhuma ruga no rosto e nenhum sinal de desapontamentos com a vida, é até louvável que alguém tenha a honestidade e a autenticidade de ser, sentir e demonstrar sua tristeza e humanidade. Não se trata aqui daquela pose para as redes sociais diante de uma tragédia, usada como imagem de alguém sensível, humano e virtuosamente altruísta, com aquele olhar cinematográfico e preparado para as telas digitais. O verdadeiro olhar a que se refere esta reflexão é aquele em que a pessoa não está conectada à opinião alheia e nem sabe se alguém a observa, ou seja, quando não está querendo agradar uma plateia (humanidade real). Quantas vezes nos permitimos parar para refletir em meio à caminhada? Quando é...
O enfrentamento da vida A luta solitária de cada geração Das histórias mais antigas que particularmente ouvi das pessoas mais vividas, destacam-se as descrições dos meus antepassados, que vieram com os primeiros imigrantes de uma terra muito distante, trazendo sonhos e a chama interna da esperança por uma virada de chave na vida. Assim como muitos, boa parte destes antepassados sofreram um grande impacto, ao sobreviver em condições totalmente adversas (um ato legítimo de sobrevivência). Como não havia volta para muitas destas pessoas, por estarem comprometidas não só com a missão a que se propuseram fazer, havia ainda a responsabilidade de cuidar da família que, naquela época, significava muitos filhos. O espírito de luta e a força que queimava em seus corações desde que partiram de sua terra natal foi testada ao limite e, tristemente, muitos acabaram desistindo e até perecendo. Seus maiores desafios eram a falta de domínio do idioma, a dependência econômica e a ...