A pressão do “ser inteligente” O papel das escolas Quando criança, minha mãe me dizia: Se não conseguir ser o primeiro da classe, no mínimo, ande com os melhores da turma! Será que ela sabia que seu filho não era um gênio, em meio a tantos orientais excepcionais em desempenho escolar? Lembro-me de ter testemunhado casos de pessoas em minha cidade natal, que conseguiram passar em lugares muito concorridos como, por exemplo, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, um feito fora de série, considerando-se as limitações daquela época. Ao mesmo tempo, naquela escola de outros tempos, lembro-me de um estigma comum para quem tinha traços orientais, de que sempre éramos ótimos estudantes. Descontando-se as discriminações gratuitas – que perduram até hoje –, era algo muito sério carregar um rótulo social, ligado à capacidade intelectual. Hoje parece besteira pensar nessa responsabilidade de ser um ótimo estudante, tendo em vista que nem os professores têm o mesmo valor de antes. H...
A praticidade letal A incoerência estressante Desde muito jovem, sempre tive uma certa repulsa natural a todo tipo de autossabotagem a que pessoas inteligentes e capazes que conheci simplesmente se entregavam. Esta autossabotagem servia para se esconderem de responsabilidades, para não enfrentarem desafios ou mesmo para tirarem vantagem usando uma muleta como desculpa para atraírem a compaixão para si — em situações em que não era a falta de capacidade ou deficiência real, mas um jeito muito estranho de ganhar pertencimento, favores e, mais tarde, comodidades e privilégios no mundo do trabalho. Hoje temos a Inteligência Artificial, que funciona como uma nova "muleta" tecnológica. É estranho, primeiro porque, agindo assim, quem nasce com um talento e o reconhece em si mostra ingratidão à própria Fonte que lhe concedeu o talento — o Criador de todas as coisas —; e segundo porque, ao invés de exercer seu potencial, prefere adotar o lema: o mundo é dos espertos (malandr...