Memórias e Heranças Ambição terrena Em uma ocasião distante, vivendo no outro lado do mundo, no Japão, tive o privilégio de estar ao lado do meu pai, que hoje vive junto às estrelas. Conhecemos a neve, as cerejeiras, a rotina em um País onde nossos ancestrais viveram. Inclusive, moramos em uma cidade com o nosso próprio sobrenome de família. Nesta reflexão, não seria possível traduzir tudo o que vivenciamos naqueles dias, pois tanto ele como eu precisamos usar, de forma integrada, nossas percepções, nossos instintos de sobrevivência e nossa capacidade adaptativa ao máximo. Para efeito de análise, aquela imigração física representou um espelho da busca da alma por seu "berço natal" espiritual. Nosso principal objetivo era superar dificuldades econômicas e conquistar recursos financeiros para nossa família. Mas houve um dilema importante quanto ao tempo que ficaríamos lá para isto. Primeiro porque a regra básica natural era guardar mais do que se ganhava, e isso dependi...
A pressão do “ser inteligente” O papel das escolas Quando criança, minha mãe me dizia: Se não conseguir ser o primeiro da classe, no mínimo, ande com os melhores da turma! Será que ela sabia que seu filho não era um gênio, em meio a tantos orientais excepcionais em desempenho escolar? Lembro-me de ter testemunhado casos de pessoas em minha cidade natal, que conseguiram passar em lugares muito concorridos como, por exemplo, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, um feito fora de série, considerando-se as limitações daquela época. Ao mesmo tempo, naquela escola de outros tempos, lembro-me de um estigma comum para quem tinha traços orientais, de que sempre éramos ótimos estudantes. Descontando-se as discriminações gratuitas – que perduram até hoje –, era algo muito sério carregar um rótulo social, ligado à capacidade intelectual. Hoje parece besteira pensar nessa responsabilidade de ser um ótimo estudante, tendo em vista que nem os professores têm o mesmo valor de antes. H...