A praticidade letal A incoerência estressante Desde muito jovem, sempre tive uma certa repulsa natural a todo tipo de autossabotagem a que pessoas inteligentes e capazes que conheci simplesmente se entregavam. Esta autossabotagem servia para se esconderem de responsabilidades, para não enfrentarem desafios ou mesmo para tirarem vantagem usando uma muleta como desculpa para atraírem a compaixão para si — em situações em que não era a falta de capacidade ou deficiência real, mas um jeito muito estranho de ganhar pertencimento, favores e, mais tarde, comodidades e privilégios no mundo do trabalho. Hoje temos a Inteligência Artificial, que funciona como uma nova "muleta" tecnológica. É estranho, primeiro porque, agindo assim, quem nasce com um talento e o reconhece em si mostra ingratidão à própria Fonte que lhe concedeu o talento — o Criador de todas as coisas —; e segundo porque, ao invés de exercer seu potencial, prefere adotar o lema: o mundo é dos espertos (malandr...
Existir por existir Quem somos Quando havia tempo para absorvermos o que o mundo nos dizia, por exemplo, na infância, tudo era experimentação. Desde como era o sabor de uma laranja ou maçã até o que significava valores, comportamentos, pensamentos, o que era certo e errado. A partir do momento em que tudo isso nos fez gerar crenças, comportamentos e hábitos, enquanto, ao mesmo tempo, nos conhecíamos interiormente como seres existentes passamos a entrar em conflito com a realidade, pois de nossas crenças, surgiram nossos desejos e vontades. Embora uma parte de nosso potencial para desenvolver habilidades humanas dependa da forma como o mundo se apresenta a nós — somada à nossa maneira de perceber a realidade, agir e até sentir —, há também a influência direta de nossa biologia e de nossos genes. No entanto, o que importava era aquela consciência de que estávamos absorvendo o mundo. Não sabíamos falar como falamos quando adultos, não fazíamos associações entre a memória de ...