O valor do trajeto Esforço para subir Quando subimos uma montanha, o objetivo principal é chegar ao topo. Assim foi quando, há muito tempo, cheguei ao ponto mais alto do famoso Monte Fuji, no Japão, quando trabalhava como mão de obra estrangeira naquele País. Lembro-me que, à medida que subia, conseguia perceber meus próprios batimentos cardíacos acelerados, e fui obrigado a fazer várias paradas para descansar. O fato de ter chegado ao topo foi mais uma questão de paciência do que força. Naquela escalada aprendi que quando cada um de nós pode respeitar o próprio ritmo, temos mais chances de êxito. Assim, nesta vida, quando nos deparamos com o desafio de realizar algo parecido a uma grande escalada, é preciso lembrar que a superação não é uma questão de força bruta, mas uma forma de andar, de seguir em frente, mesmo sob limitações mentais e físicas. Por isso descobrirmos a cada passo dado quem somos, na essência, junto à Força Maior que nos criou, é o maior prêmio. Portanto, não forc...
A resiliência humana Momentos difíceis Na natureza, as espécies frutíferas dependem de cada estação do ano para sua vida vegetativa e produtiva. No caso das espécies de clima temperado, o frio não é um problema, mas uma necessidade, pois a quebra de dormência de gemas florais ocorre abaixo de 7,2 graus Celsius, sendo que a produção dos frutos futuros depende de um acúmulo de horas de exposição nesta condição. Talvez, nossos momentos de tristeza e adversidades possam se comparar a um longo inverno em nossas vidas. Se a necessidade de frio das plantas é uma resposta delas — algo gerado como estratégia de sobrevivência, conjugando a capacidade adaptativa à adversidade, como o próprio indutor evolutivo —, será que poderíamos interpretar nossa capacidade de extrair lições para a nossa evolução a partir de nossos invernos existenciais? Possivelmente, ao contextualizarmos nossos momentos diante do ódio e da intolerância, de situações que nos espremem contra a parede da existência, possa...