Passageiros do tempo Nossas perdas Alguns filósofos contemporâneos versam sobre o desapego e a capacidade de restaurar propósitos existenciais a partir do sofrimento espiritual provocado pela intensidade da sociedade acelerada atual. Talvez, sem sabermos, aceleramos a nós mesmos na ânsia de encontrarmos mais significados naquilo que estamos fazendo, seja nos períodos de trabalho, seja em nossos momentos mais íntimos de reflexão. Buscamos nossas melhores referências quando nos sentimos solitários em meio à multidão interconectada e, normalmente, somos sequestrados pelas distrações das sensações superficiais e das satisfações emocionais imediatas, quase sempre enganosas no sentido de que servem mais como anestésicos do que como cura real — se é que esta seja possível. Talvez o fato de nos sentirmos cansados da monotonia de nossas funções sociais, servis a um sistema montado para o produtivismo sem limite, nos force a nos viciarmos nessas distrações que em nada se refletem...
Os porquês que nada explicam A colheita depois do fim Nós nos lembramos da transitoriedade da vida ao percebermos que as nossas idades avançam muito mais rápido do que gostaríamos. Amigos, parentes e pessoas queridas começam a se despedir definitivamente de nós. O que levaram consigo? O que deixaram neste mundo? O que transcendeu para todo o sempre? Assim, refletiremos sobre o significado de fatos que costumam moldar nossos pensamentos, independentemente de nossos desejos e vontades. Mais especificamente, aqueles fatos inesperados que nos trazem coisas boas ou ruins, que nos perturbam profundamente e que nos colocam cara a cara com o perigo ou em situações que nos exigem atitudes e escolhas autênticas. O que fazer com a saudade? Como agradecer depois que tudo aconteceu? Como se reconciliar com alguém que se foi, depois de termos compreendido, finalmente, um significado? Por que deixamos tudo para depois, quando deveríamos ter dado a devida atenção aos detalhes, quando hav...