Manifesto para desacelerar O Despertar Desde cedo, em minha infância, tive incentivo familiar para os estudos. Meu primeiro longo texto foi um trabalho de língua portuguesa, na escola, em que, de forma espontânea, escrevi uma estória a partir de um texto básico. Me lembro que meu professor gastou um bom tempo lendo o trabalho, e depois deu um sorriso, sem falar nada. Quase havia esquecido o episódio, mas para minha surpresa, meu pai me disse que aquele professor havia comentado com ele que eu tinha gosto pela escrita, e que aquilo era natural em mim. Em termos de reflexão sobre este ocorrido em minha jornada solitária, a pergunta que fica seria: quantos educadores, hoje, se preocupam em identificar habilidades e talentos natos de seus estudantes? Aquela sensibilidade natural, identificada no silêncio de uma sala de aula, hoje se choca contra a força implacável e quase invisível: os algoritmos. Neste mundo pautado pelo ritmo insano da informação e pelo "embuste do...
O oásis do silêncio A desaceleração como direito Como a maior parte das pessoas inseridas no mercado de trabalho, nossas jornadas começam às cinco da manhã e terminam perto da sete da noite. Para nós, que precisamos manter o foco no cotidiano e nos trajetos diários, é necessário um esforço extra para encontrar um lugar ao sol, não no sentido de pertencimento obrigatório das bolhas sociais, mas para expressar a própria autoralidade, em meio às insanidades de um sistema que nos trata com máquinas e não seres humanos. Para que isto ocorra, não podemos nos enganar achando que aquilo que nos propomos a fazer é para alguém assistir ou aplaudir. É algo que precisa estar conectado ao nosso próprio ser, como agente vivo que é obrigado a se autoconhecer ao longo da jornada da vida. Isso é o que chamamos, experiência de vida. Não importa o quanto as pessoas menosprezem nossas atividades ou profissões, pois nosso melhor nunca o será para uma sociedade pautada pela ilusão da pe...