O dogma da inflexibilidade ideológica Perigos da docência Em uma certa aula prática de rotina, ao plantar uma espécie não comercial — como parte dos conteúdos sobre agricultura regenerativa —, a intenção pedagógica era demonstrar a capacidade de restauração de uma planta a favor do solo, em repouso temporário. Assim, essa aula sobre restauração da fertilidade do solo serviu como base para muitas discussões sobre a teoria imposta pela agricultura puramente química. O princípio do fornecimento de nutrientes a partir de uma atividade biológica parte da teoria de que um componente natural (planta) não atua somente nos nutrientes químicos, mas também no condicionamento da estrutura porosa do solo e na ativação biológica que torna o solo, efetivamente, mais produtivo. São aulas assim que abordam o uso da tecnologia agrícola sob uma perspectiva integrada e holística. Mas, a partir desse exemplo, a discussão aqui se desdobra para um nível um pouco mais amplo, que ultrapassa nos...
Propósito de quem escreve Um dia de aula Quando vivi no exterior, sem dominar adequadamente a língua local, eu era um verdadeiro analfabeto, mesmo sendo graduado em nível superior no meu país de origem. Ali, costumava pensar: “No meu país eu sei falar e escrever”, e era essa a minha maior motivação e esperança para o meu regresso. Depois de muito tempo, no final de uma aula — dentre tantas ao longo de um ano letivo —, uma aluna me revelou que queria saber como escrever bem. Para um professor, o estudante que sabe escrever é aquele que, normalmente, não deixa dúvidas sobre seu aprendizado em uma questão discursiva; aquele que domina, pelo menos, as técnicas básicas da língua pátria. Mas, após o episódio, observei que não era bem essa a resposta que a aluna queria, e nem a melhor que eu poderia ter dado. Isso me fez refletir e observar, de fato, o que é uma boa escrita. O coração da escrita Existem várias formas com as quais formamos nossos pensamentos. Uma del...