A proeza da lentidão orgânica A vida em ritmo lento Em um mundo em que a escala de produção se tornou prioridade, a automatização passou a ser o grande objetivo da tecnologia. A reprodução de operações repetitivas, com máxima precisão e margens ínfimas de erros, levou-nos à segurança no trabalho, à eficiência de processos complexos e a construções monumentais. Mas, depois de tudo, a beleza da conquista prolongada no tempo foi trocada por uma marca do nosso século: a quebra de recordes, onde tudo deve ser feito em prazos cada vez mais curtos — a corrida dos ratos. Lembro-me de que, quando jovem, na era analógica, torcia para que um vídeo legal aparecesse de novo na televisão, o que podia demorar uma semana inteira. Para quem tinha o videocassete, que podia gravar filmes e programas, era como ter o céu sem limites. Nessa época, tudo o que se via de interessante precisava ficar gravado na memória, inclusive detalhes que dependiam de um nível de atenção e capacidade de observ...
O fluxo contínuo O arquétipo de gente de verdade Quando analisamos o contexto de nossa sociedade, nossa natureza humana é realçada em seus lados opostos, ou seja, nosso lado bom e o ruim; e, normalmente, os tomamos como matéria-prima para produzirmos nossos egos funcionais, descaradamente polarizados para servir a interesses do jogo da exploração do homem pelo homem, que só faz sentido porque não se inventou outra forma de “civilizar” este mundo (a nossa desculpa). A grande tragédia existencial é que, em nosso tempo dedicado ao produtivismo e à subserviência ao jogo do ganha e perde entre seres humanos, estamos chegando à extinção do significado da vida por falta de autoconhecimento. Não à toa, em relação às nossas jovens gerações, estamos cada vez mais preocupados com sua proteção diante do recrudescimento do jogo de poder, da sedução e do sequestro de suas vidas pelo sistema da competição ensandecida. Esta civilização moderna já atingiu níveis letais de selvageria. O ...