> JORNADA DA ESCRITA Pular para o conteúdo principal

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O ESTIGMA DA INTELIGÊNCIA: autocobrança e comparações

A pressão do “ser inteligente”   O papel das escolas Quando criança, minha mãe me dizia: Se não conseguir ser o primeiro da classe, no mínimo, ande com os melhores da turma! Será que ela sabia que seu filho não era um gênio, em meio a tantos orientais excepcionais em desempenho escolar? Lembro-me de ter testemunhado casos de pessoas em minha cidade natal, que conseguiram passar em lugares muito concorridos como, por exemplo, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, um feito fora de série, considerando-se as limitações daquela época. Ao mesmo tempo, naquela escola de outros tempos, lembro-me de um estigma comum para quem tinha traços orientais, de que sempre éramos ótimos estudantes. Descontando-se as discriminações gratuitas – que perduram até hoje –, era algo muito sério carregar um rótulo social, ligado à capacidade intelectual. Hoje parece besteira pensar nessa responsabilidade de ser um ótimo estudante, tendo em vista que nem os professores têm o mesmo valor de antes. H...
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EXTERMÍNIO DO PENSAMENTO: bom senso e coerência diante da IA

A praticidade letal   A incoerência estressante Desde muito jovem, sempre tive uma certa repulsa natural a todo tipo de autossabotagem a que pessoas inteligentes e capazes que conheci simplesmente se entregavam. Esta autossabotagem servia para se esconderem de responsabilidades, para não enfrentarem desafios ou mesmo para tirarem vantagem usando uma muleta como desculpa para atraírem a compaixão para si — em situações em que não era a falta de capacidade ou deficiência real, mas um jeito muito estranho de ganhar pertencimento, favores e, mais tarde, comodidades e privilégios no mundo do trabalho. Hoje temos a Inteligência Artificial, que funciona como uma nova "muleta" tecnológica. É estranho, primeiro porque, agindo assim, quem nasce com um talento e o reconhece em si mostra ingratidão à própria Fonte que lhe concedeu o talento — o Criador de todas as coisas —; e segundo porque, ao invés de exercer seu potencial, prefere adotar o lema: o mundo é dos espertos (malandr...

A PRESSÃO DE SER: sem tempo não somos nada

Existir por existir   Quem somos Quando havia tempo para absorvermos o que o mundo nos dizia, por exemplo, na infância, tudo era experimentação. Desde como era o sabor de uma laranja ou maçã até o que significava valores, comportamentos, pensamentos, o que era certo e errado. A partir do momento em que tudo isso nos fez gerar crenças, comportamentos e hábitos, enquanto, ao mesmo tempo, nos conhecíamos interiormente como seres existentes passamos a entrar em conflito com a realidade, pois de nossas crenças, surgiram nossos desejos e vontades. Embora uma parte de nosso potencial para desenvolver habilidades humanas dependa da forma como o mundo se apresenta a nós — somada à nossa maneira de perceber a realidade, agir e até sentir —, há também a influência direta de nossa biologia e de nossos genes. No entanto, o que importava era aquela consciência de que estávamos absorvendo o mundo. Não sabíamos falar como falamos quando adultos, não fazíamos associações entre a memória de ...
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