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NOVO TEXTO: o que uma IA jamais adivinhará de você

Uma pessoa em silhueta sentada em uma cadeira simples, observando o pôr do sol, com forte contraste entre o lado esquerdo azul e tecnológico, cheio de grades digitais, e o lado direito quente, com nuvens em tons de laranja, dourado e rosa.

Pergunte à IA

 

O infinito agora

Certa vez, ao participar de uma banca avaliadora de estágio curricular, surgiu um trabalho feito por encomenda. A apresentação não foi ruim, pois havia lógica, sequência e até uma certa discussão sobre o objeto de estudo. O que o sujeito não sabia era que sua capacidade cognitiva não seria avaliada apenas pela memória, mas, sim, pela experiência vivenciada, pelos problemas encontrados, pelas situações imprevistas que tornam qualquer interação com o meio ambiente única para cada estação, para cada ano agrícola, para cada cultivar testada.

Uma única pergunta, respondida por obrigação, sendo afirmativa ou negativa, por si só, já denunciava a falta efetiva do sujeito na prática real, na lida diária e nas nuances da atividade. Por isto, sempre encarei o estágio supervisionado como uma das etapas mais importantes do processo formativo profissional, pois, além de exigir a associação de conhecimentos aprendidos, o sujeito precisava ir além – sentir o conhecimento no movimento teórico-prático e vice-versa. Há questionamentos que não possuem respostas exatas, pois precisam de contextualização, de particularidades e de uma interpretação pessoal do sujeito. Disso extraímos a bagagem adquirida e também surgem novos questionamentos do próprio profissional, com sua crítica e sua subjetividade única.

Assim, aquela época foi marcada por momentos de superação, de real interação professor-aluno, de profunda autoavaliação e autoconhecimento de ambas as partes, em cada momento único e repleto de variáveis que ultrapassavam os critérios numéricos de avaliação.

 

Pergunte à IA

Isto me lembra o quanto, hoje, é muito mais fácil tentar burlar uma banca avaliadora com as novas ferramentas de IA (Inteligência Artificial) e, muito mais que as antigas fraudes do 'copia e cola', podemos ter trabalhos magníficos e apresentações impecáveis. Coloquemos isso para uma IA avaliar e, mecanicamente, com um 'sim' ou um 'não', o trabalho será avaliado. Mas, neste ensaio, o ponto central não é discutir sobre quem engana quem, mas a confusão que se faz entre certificação gratuita e acúmulo de títulos vazios, e a verdadeira experiência da aprendizagem acadêmica.

A trajetória de alguém que estuda é uma vida de dedicação, de compromisso com o próprio desenvolvimento, com a superação de limitações pessoais, com a adaptação aos meios escolares, desde a infância até a fase adulta. Atualmente, a alteração de valores geracionais — que mantiveram a constância, a paciência, a diligência e o esforço despendido em meio a sacrifícios, a momentos de dor, de fraqueza, de altos e baixos familiares e condições econômicas — sofre com a avalanche de superficialidades e distrações, totalmente contrária ao real direcionamento do pensamento elevado.

Que texto produziremos hoje, em nossas histórias pessoais? Conseguimos imaginar como uma IA responderia a esta pergunta? Como a IA responderia ao que vamos querer comer amanhã, se não trabalharmos no hoje, no agora? Perguntemos se seria ético alguém se sustentar às custas do trabalho alheio, sem qualquer remorso, e teremos uma resposta que nada explicaria a indignação, a repulsa e o sentimento de desrespeito que qualquer um de nós sente quando alguém tenta levar vantagem em um ambiente coletivo.

Para nós, seres humanos, é a consequência que importa: os desdobramentos de nossos comportamentos — seja para sermos honestos ou não — e as marcas pessoais, positivas ou negativas, que carregaremos de acordo com as leis naturais do retorno e da compensação.

 

A IA nos acomoda no conhecido

Esta brincadeira de conversar com uma IA e verificar suas respostas psicopatas, sem qualquer compromisso com nossa condição existencial, é, tragicamente, confortável para quem já perdeu contato interpessoal real com outros seres humanos. A solidão, que deveria retroalimentar nosso autoconhecimento pela reflexão, se tornou, de fato, isolamento das pessoas no meio de uma multidão.

Ficar no passado, voltando à questão do presente infinito, nos impede de interceptarmos novos elementos de nossa existência, novas interpretações, novas opções e formas de escrever nossas histórias pessoais. Será que há saída para isto ou estamos condenados a repetir o que já foi vivido — a sermos treinados como macacos para repetir o velho, o que o sistema de automatização quer de nós? O que precisamos saber ou aprender para fazer algo que nem uma IA pode adivinhar?

Perceba este texto, neste exato momento, e perceberá que cada palavra não segue uma métrica estabelecida. Sua origem vem de um processo de interpretação pessoal deste autor que vos fala — do fio condutor que surgiu quando ele voltava hoje, depois de um dia de trabalho, de frente para um lindo horizonte de final de tarde, que apresentava um tom laranja magnético, intenso, quente —, o qual trouxe lembranças que delinearam esta narrativa sobre o quanto somos imprevisíveis; o quanto podemos, com nossa vontade, intencionar deixar uma mensagem de esperança, e não o contrário.

Divagação pura? Ou seria liberdade criativa pura? Bem-estar em se sentir aberto e com coragem para expor um pouco de si para aqueles com quem nos importamos? Para quem pode estar precisando de uma conversa à toa, sem segundas intenções? Um momento para descansar a mente, sorrir e sentir um pouco daquela luz laranja penetrar a escuridão de nossas tristezas passageiras, dores ou sofrimentos.

 

Não queremos ser cópias

Percebo que nossos jovens, hoje, não toleram ser despersonalizados, ser vistos como sem graça, sem tempero aos exigentes olhos dos modismos, das '10 mais' formas de serem bem aceitos e irretocáveis para suas bolhas específicas. O importante é: se forem destoar de algo, que seja para se diferenciarem de outras bolhas e, assim, a visibilidade está garantida.

A questão é que, se não trilharmos nossos próprios caminhos, tudo o que já foi produzido em excesso — pela máquina do produtivismo e do consumismo, no sistema de acúmulo material sem fim —, poderemos, sim, viver de novo momentos de enorme desamparo humano, só para relembrar o mundo do pós-guerra do século passado.

Ser uma cópia do passado significa repetir padrões de pensamento, seguir lógicas e padrões — inclusive padrões ultrapassados — sobre nossa inteligência. Se reduzirmos nossa capacidade cognitiva confiando em uma IA — que nem 'pensar' consegue sem ter uma mente humana por trás —, confiando no passado sem enxergar o que acontece no agora (algo que, sabemos, influi no futuro, cuja maior qualidade é a falta de respostas), como conseguiremos aprender a fazer o fogo interno de nossa existência se manter diante de uma improvável, mas possível, grande calamidade humana? Deixemos isto para a IA responder!

 

Conclusão

No fim das contas, a inteligência artificial pode imitar a nossa lógica e compor apresentações impecáveis, mas ela jamais sentirá o calor daquele horizonte laranja de fim de tarde ou compreenderá a nossa capacidade humana de recomeçar em meio às incertezas do agora. Manter o fogo de nossa existência ativo é um ato de insubordinação contra o automatismo. É a nossa escolha de sermos imprevisíveis, imperfeitos e, acima de tudo, profundamente humanos que nos impede de virarmos meras cópias do passado. Puxar a cadeira, desacelerar e escrever a própria história é o que nenhuma máquina poderá prever ou nos tirar.

 

10 Perguntas e Respostas Esclarecedoras

1. O que motivou o autor a escrever este ensaio?

O autor inspirou-se ao voltar para casa após um dia de trabalho, contemplando um lindo horizonte de fim de tarde com um tom laranja magnético, intenso e quente. Esse momento despertou reflexões sobre a imprevisibilidade humana e a importância de transmitir mensagens de esperança.

2. Qual foi o problema identificado pelo autor na banca avaliadora de estágio que ele presenciou?

Ele percebeu que o trabalho apresentado havia sido feito por encomenda. Embora a apresentação tivesse lógica e sequência, faltava ao estudante a experiência real vivida na lida diária, nos imprevistos e nas nuances práticas da atividade.

3. Como o autor define a verdadeira importância do estágio supervisionado?

Como uma das etapas mais importantes do processo formativo. Para ele, o estágio exige que o estudante sinta o conhecimento no movimento teórico-prático e lide com questões que não têm respostas exatas, demandando contextualização e interpretação pessoal.

4. Qual é o risco de usar a inteligência artificial para "burlar" avaliações acadêmicas?

O grande risco é confundir a mera obtenção de uma certificação gratuita ou o acúmulo de títulos vazios com a verdadeira experiência da aprendizagem acadêmica e do desenvolvimento pessoal.

5. Como a inteligência artificial avalia um trabalho, segundo o texto?

A IA avalia de maneira puramente mecânica, limitando-se a respostas fechadas como um "sim" ou um "não".

6. O que o autor quer dizer quando afirma que "a IA nos acomoda no conhecido"?

Significa que interagir excessivamente com as ferramentas de IA nos mantém presos ao passado e ao que já foi vivido. Isso nos impede de interceptar novos elementos da existência e de experimentar novas formas de escrever nossas próprias histórias.

7. De que maneira a solidão foi transformada na era digital?

A solidão, que originalmente deveria servir para retroalimentar nosso autoconhecimento por meio da reflexão pessoal, acabou se tornando um isolamento real das pessoas no meio de uma multidão.

8. Como os jovens de hoje lidam com as pressões sociais e os modismos?

Os jovens não toleram ser despersonalizados ou vistos como "sem graça" perante os modismos e bolhas específicas. Por isso, buscam se diferenciar das outras bolhas para garantir visibilidade.

9. Qual é o perigo de sermos uma "cópia do passado" e reduzir nossa capacidade cognitiva?

Ao confiar excessivamente em uma máquina que não pensa por si só, deixamos de enxergar o presente e de aprender a manter aceso o fogo interno de nossa existência, ficando desarmados diante de possíveis crises ou calamidades humanas.

10. O que a inteligência artificial é incapaz de simular na experiência humana?

A IA é incapaz de sentir sentimentos reais como a indignação, o remorso e a repulsa diante de injustiças coletivas. Ela também não possui a nossa liberdade criativa ou a capacidade de oferecer uma conversa acolhedora e sem segundas intenções.

 


Para visualizar essa reflexão de forma mais imersiva, convido você a assistir ao vídeo AQUI

 

 

 

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