A luz de nossa essência
Medo do além e os demônios que nos espreitam
Como
podemos temer o que não conseguimos compreender? Existem dores maiores do que a
vida nos impõe? É preciso correr atrás de mais problemas e sofrimentos além
daqueles que já estão em nossos caminhos? A desatenção é a porta de entrada
para os "demônios" mentais.
Não se
trata aqui de quantificar os momentos de dores e sofrimentos, pois essas coisas
não se medem pela estatística, mas sim pelo que podem causar ao nosso bem-estar.
Podemos observar o quanto nossa mente torna os momentos mais terríveis de nossas
experiências em medos e ansiedades sobrenaturais sobre o que supomos vir depois,
no futuro, como se tivéssemos certezas inabaláveis. Assim, passamos a atrair
negatividades e acabamos nos sintonizando com pessoas com o mesmo nível de
frequência mental, sem perceber.
Mas,
onde está a prova concreta de que o que pensamos acaba acontecendo? Talvez,
possamos estar confundindo nosso desamparo existencial aos medos associados ao
mundo material da posse e do mundo sensorial e, por isso, confiando demais em
nossa falsa capacidade de prever o futuro, neste contexto, sempre para o pior. A falta
de autonomia e de atitude diante do incerto acaba por gerar os efeitos
negativos que tememos. Entretanto, não controlamos o destino, mas podemos navegar por nós
mesmos, escolhendo a direção a tomar em nossas jornadas. A
"alma penada" é aquela que vive à mercê do destino por falta de autonomia
e atitude.
Talvez,
não é que sabemos que o pior sempre virá, mas sim porque sabemos que o malfeito
e as más intenções semeadas pelo mundo trarão consequências, as quais podem vir
a se manifestar ao nosso lado ou em nossas vidas. Mas se este mecanismo for
verdadeiro, a ponto da maioria das pessoas acreditarem que tudo pode piorar,
não seria lógico imaginar que isso também aconteceriam com as coisas boas e
positivas da vida, através do uso de boas sementes? Se o negativo se manifesta,
o positivo não segue a mesma lógica também?
Almas penadas: a falta de autonomia
Quem consegue
admitir, com sinceridade, que está sendo descuidado contra os maus pensamentos
ou que tem uma queda pela morbidez ou pelo instinto assassino? Isto não é tão
absurdo assim, quando vemos o homem moderno acreditando que viverá para sempre
ou acreditando que pode fazer o que quiser com a vida alheia sem qualquer
consequência. Viver a mais ou a menos jamais será uma prerrogativa de onipotência para
nós, pois isto não nos é dado e porque faz parte de uma origem e uma existência inexplicável
em tamanho, número e grau.
Seria
preciso saber de onde viemos e para onde vamos, saber tudo sobre o universo que
nos cerca e explicar a origem da vida e das leis naturais. Será que podemos
compreender as tramas que possibilitaram à humanidade plantar e colher em sua
história, a sequência de erros, acertos e a imbecilidade da repetição de erros? Quem pode negar a lei
do retorno? Será que já esclarecemos o poder da mente humana e nossa capacidade
criativa, para o bem ou para o mal?
É aí
que nos deparamos com questões que nos colocam diante da grandeza existencial
da própria vida terrena, que nos faz respirar, sentir, pensar, criar,
significar, escolher, realizar. É assim que desenvolvemos nossa cultura, a
filosofia, os métodos e a jornada humana, geração após geração, de forma
claudicante. Neste contexto, precisamos refletir melhor sobre causas e efeitos por sermos mais negativos ou mais positivos, em nível de motivação para viver.
Será
mesmo que estamos destinados a sermos almas penadas, condenadas a sofrer e
fazer sofrer apenas? De onde veio esta semente ruim que procria ervas daninhas
na mente humana, ao invés de belas flores? Que prazer sombrio é este que
preserva a pobre concepção darwiniana de vida como uma incontestável relação
entre opressor e oprimido?
A voz interna que nos fala
Talvez,
para justificarmos a impotência diante de tantos males semeados pelo mundo, tendamos
a crer mais na maldade, na desonestidade, na desesperança e na prepotência. Nossa
organização social, infelizmente, encarna atitudes relacionadas a estes
pensamentos empobrecidos e escassos sob a pressão da punição, especialmente,
econômica.
Mas, nossa
essência é capaz de trazer uma luz para a compreensão da covardia e a própria falta
de esperança deste mundo, criado por nós mesmos como, por exemplo, revertendo
falsas crenças culturais e revisando aprendizagens ruins. Assim, se acreditamos
que precisamos parasitar o próximo para conseguirmos privilégios sobre outras
pessoas, nossa essência nos diz que podemos evitar isto, se assim decidirmos. Portanto,
podemos optar em decidir conscientemente em não amplificar erros em nossas "bolhas de convivência".
Podemos,
também, usar nossa inteligência e talentos para semear o bem e não o mal em
nosso cotidiano, aproveitando o tempo para enriquecermos nossos relacionamentos
ao invés de envenenar os ambientes de trabalho e de convivência pessoal. Ao
invés de fazermos críticas vazias e não resolvermos nada, podemos buscar
soluções que aliviem os problemas e tragam bem-estar, assumindo
responsabilidades, em nível individual, independente se isto vai aparecer na foto ou
não. O "individualismo bem-intencionado" é, na verdade, a expressão
prática de nossa essência no cotidiano.
Podemos
nos acalmar e contribuir para a elevação do pensamento ao invés de criar o caos,
para que nada se resolva ou para esconder segundas intenções. Podemos manter
vivas as oportunidades de crescimento coletivo ao invés de enterrá-las nas
terras do egoísmo, da ganância e da vaidade. O individualismo pode ser mais
contributivo do que separatista quando assume um viés bem-intencionado, ao
invés de recrudescer o egocentrismo.
Somos seres pensantes: a semente da solução
O
grande problema da organização social moderna é a adesão à customização da
vida vinda de padrões impostos pela cultura momentânea, como se o mundo tivesse
começado no dia em que nascemos. Não é assim, pois nós somos uma geração ligada às gerações
anteriores e, seja para bem ou para o mal, vivemos em uma realidade construída por nós, tanto
em nível concreto como abstrato. Tudo é fruto do pensamento humano, mas neste ponto, perguntemo-nos: qual
sentido e propósito focamos em nossas missões individuais?
O mundo
das certezas não existe como se propaga por aí. Não temos como reverter ações,
palavras proferidas no sentido do mal e nem suas consequências, mesmo que
estejamos a bordo de um iate de luxo. Não é preciso de uma arma para assassinar
sonhos, missões, projetos e talentos. Basta uma estupidez no trânsito, uma
discussão polarizada, ou mesmo uma crise de ciúmes para colocar fim em uma
vida, sem deixar de mencionar as pessoas que morrem se alimentando nos lixões espalhados pelo mundo
afora.
Não
acreditar no bem é uma forma de fugir da própria percepção daquilo que é sujo,
malfeito, irresponsável e mal-intencionado. A história humana já permitiu que
fritássemos cidades inteiras pela fissão nuclear e, incrivelmente, ainda não aprendemos a lidar
com as bestas ainda espalhadas pela face da terra e a pergunta final que permanece é: Por
quê?
Se o
pensamento fosse tão inofensivo assim, a educação e a formação humana não
estariam tão cercadas por interesses do mal, para manter as pessoas acríticas e
sem consciência profunda sobre os caminhos e erros que já cometemos e
persistimos em repetir. Qual agente social ou instituição teria mais
propriedade para indicar os gargalos estratégicos dos processos de formação
humana atuais, para superar a ignorância e a mediocridade?
Provavelmente,
não será pelo conhecimento ou pela tecnologia em si que resolveremos este
descaminho, mas provavelmente pela amplificação do bem-estar comum, sem exceções, a
partir de sementes e frutos do bem.
Usar
nossa capacidade de pensar e refletir significa trocar a "crítica
vazia" pela "solução" no sentido de que o individualismo
bem-intencionado (cuidar de si para servir melhor) é o que pode interromper o ciclo
das "almas penadas" e evitar o caos.
Conclusão
Em
última instância, deixar de ser uma "alma penada" exige o despertar
da desatenção e a retomada da autonomia sobre o próprio pensar. Ao
substituirmos o egocentrismo pelo individualismo bem-intencionado,
interrompemos o ciclo de negatividade e passamos a semear soluções em vez de
críticas vazias. O caminho para superar a mediocridade social não reside em
ferramentas externas, mas na consciência profunda de que cada semente do bem
lançada hoje é o que garante a luz de nossa essência e o equilíbrio da vida
coletiva.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. O
que o autor define como sendo uma "alma penada"?
A
"alma penada" não é tratada como um fenômeno sobrenatural, mas sim
como o indivíduo que vive à mercê do destino por falta de autonomia e
atitude diante das incertezas da vida.
2.
Qual é o impacto da desatenção na mente humana?
A
desatenção é descrita como a "porta de entrada" para os
chamados "demônios mentais". Ela permite que a mente transforme
experiências difíceis em medos e ansiedades sobrenaturais sobre o futuro, nos
sintonizando com frequências mentais negativas.
3.
Como o autor explica a "lei do retorno" no contexto da positividade?
O
autor argumenta que, se as pessoas acreditam que o malfeito e as más intenções
trazem consequências negativas, seria lógico aplicar a mesma lógica às coisas
boas. O uso de "boas sementes" deve, portanto, gerar
resultados positivos e manifestar o bem na vida individual e coletiva.
4.
Podemos controlar o nosso destino?
Não. O
texto afirma que não controlamos o destino, mas temos a capacidade de "navegar
por nós mesmos", escolhendo conscientemente a direção a tomar em
nossas jornadas através do exercício da autonomia.
5. O
que o autor propõe para superar a falta de esperança e a covardia do mundo?
A
solução reside em nossa essência, que é capaz de trazer luz para
compreender essas mazelas. Isso envolve reverter falsas crenças culturais,
revisar aprendizagens ruins e decidir conscientemente não amplificar erros em
nossas "bolhas de convivência".
6.
Como o individualismo pode ser algo positivo para a sociedade?
O
texto propõe o conceito de individualismo bem-intencionado, que é
contributivo em vez de separatista. Ele consiste em "cuidar de si para
servir melhor", interrompendo o ciclo de negatividade e egocentrismo.
7.
Qual é a crítica feita à organização social e à educação moderna?
O
autor critica a adesão a padrões culturais momentâneos e a uma educação que,
muitas vezes cercada por interesses, mantém as pessoas acríticas e sem
consciência profunda sobre os erros históricos que persistimos em repetir.
8. O
que significa trocar a "crítica vazia" pela "solução"?
Significa
assumir responsabilidades em nível individual para buscar ações que aliviem
problemas e tragam bem-estar, em vez de apenas apontar falhas ou criar o caos
para esconder segundas intenções.
9. De
que forma o pensamento humano molda a nossa realidade?
Tudo
na nossa realidade, tanto no nível concreto quanto no abstrato, é fruto do
pensamento humano. O autor alerta que palavras e ações negativas proferidas
não podem ser revertidas e têm consequências reais, como o
"assassinato" de sonhos e talentos.
10.
Qual é a conclusão final do autor para interromper o ciclo de sofrimento?
Para
deixar de ser uma "alma penada", é preciso despertar da desatenção
e retomar a autonomia sobre o próprio pensamento. O caminho para superar a
mediocridade social depende da consciência de que cada semente do bem lançada
hoje garante o equilíbrio da vida coletiva.
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