Quando outra pessoa mais importa O resgate de nossa humanidade Certa vez, em uma viagem de lua de mel, fui a um restaurante experimentar um prato famoso e caro — uma lagosta —, que eu só fui conhecer depois de adulto, junto com minha esposa. Naquele dia, enquanto aguardávamos o prato chegar, aproximou-se de nós um menino muito pobre, com roupas em farrapos e todo sujo, pedindo-nos algo para comer. Sem pensar muito, pedimos ao garçom para levar um prato de alimento e servir o menino. Para nossa surpresa, fomos hostilizados pelos olhares dos atendentes e da gerência, que demonstraram total reprovação ao que havíamos feito. Mantivemos a criança na mesa até que ela terminasse e, logo depois, chegou o nosso pedido. Mas hoje, relembrando o fato mais de trinta anos depois — dentre os quais nunca mais comi lagosta —, veio uma pergunta: o que foi aquilo? A pior gafe de etiqueta foi atender a uma criança com fome? Isso foi tão reprovável assim? Ninguém que não faça algo diferente...