Não aceite desistir
O mundo não nos quer
Quantas vezes você sentiu que era alguém
indesejado? Já foi discriminado por sua origem? Já foi isolado e escarnecido
por pessoas dos mais altos níveis de uma hierarquia local ou de apreço afetivo
de uma bolha? Já lhe transmitiram a mensagem de que você é um motivo de
vergonha por ser quem é e como é? Já desejou fugir ou desistir?
O comportamento discriminatório no mundo
moderno independe do lugar em que estamos, e este fenômeno está amplificado
pelas redes sociais e pela generalização de preconceitos, o que tem gerado
segmentações por classes e bolhas humanas, muitas vezes afetadas pelo
radicalismo, por paradigmas e ideologias dominantes. A tecnocracia, a
judicialização e a polarização política são ferramentas globalizadas, tanto
para o controle social como para o recrudescimento de movimentos
discriminatórios, o que tolhe a autoexpressão dos indivíduos.
Neste contexto, a lógica é desistir,
abandonar ou entregar os pontos. Mas, por outro lado, por que resistimos? Por
que nos sujeitamos a maus-tratos, desrespeito, perseguições e, mesmo assim,
ainda prosseguimos em frente? Será que as perseguições estão relacionadas ao
destino? Este destino usa a discriminação como instrumento para o afloramento
de nossa missão individual?
Encontro com o destino
Neste mundo, algo dentro de nós nos comunica
que temos uma missão a cumprir, um destino a seguir, e isto não é pouca
coisa. A resiliência humana é uma escolha consciente que nasce da disposição do
indivíduo diante do desconforto na adversidade. Isto demonstra que a
natureza humana é constituída de uma matéria mais resistente do que
acreditamos. Por isto, a hostilidade do mundo pode servir como um catalisador
do destino.
Existe uma confusão antiga entre a atitude de
pessoas predestinadas e a de pessoas que forjaram seu próprio destino. Isso
ocorre porque o tema envolve uma diferença entre escolha inconsciente e
consciente, no que toca à automotivação ou à luta íntima contra as próprias
limitações.
Um destino previamente demarcado normalmente
está ligado a uma herança geracional e a uma história familiar. Por
outro lado, o destino forjado seria algo que não tem nenhuma lógica ou
racionalidade, pois leva uma pessoa a seguir um determinado caminho sob uma
pressão incomum, uma crítica velada e até um ódio disfarçado — inclusive por
parte daqueles que se acham predestinados.
Mas não importa tanto o quanto alguém segue
as probabilidades esperadas quando chegam a este mundo; importa o que a pessoa
faz com sua motivação própria. Pessoas que trilharam seu destino são aquelas
que insistiram em ficar até cumprirem algo que seus corações lhes diziam ser
seu propósito e, somente depois de chegarem a seu objetivo, se permitiram
partir. Muitas vezes, isto coincide com o próprio fim da jornada terrena ou com
a partida para outro lugar no mundo.
Quando alguém descobre que, ao realizar algo,
isto vem ao encontro de sua essência, surge uma força que não pode ser negada
ou ignorada. Enfim, é a missão que a maioria de nós encontra e escolhe realizar
ou não. Contudo, essa descoberta envolve mais coragem do que bom senso.
A autoexpressão
Sempre orbitamos ao redor daquilo que mais
nos interessa, que mais tem a ver com nossas capacidades e, quando encontramos
oportunidades na vida para exercer nossa vocação, definimos um lugar para
expressá-la. Contudo, por mais que a sociedade moderna leve as pessoas a
acelerarem seus passos, cabe, nesta análise, ressaltar a importância da pausa,
do silêncio e da reflexão.
Encontrar a própria vocação e aquilo que
preenche nosso ser demanda tempo. Assim como uma árvore começa na semente,
espera a condição ideal do solo para germinar, condições nutricionais e clima
favoráveis às suas necessidades básicas para crescer, autoproteção e energia
para superar intempéries, interação com outros seres vivos durante seu
florescimento para produzir seus frutos, assim também é com nosso curto ciclo
de vida.
A paciência é uma prerrogativa para
encontrarmos o caminho de nossas vocações e nosso tempo sagrado não pode ser
desperdiçado com o barulho e o caos mental provocado pela desordem e pela pressa
(necessidade de autoproteção). Quando há condições para que possamos caminhar
ao nosso próprio ritmo, com liberdade suficiente para fazermos escolhas
próprias, podemos nos conectar com as leis naturais e compreender fundamentos
vitais, os quais nos dão o discernimento, o reconhecimento da própria força e,
o mais importante, clareza do que podemos realizar.
Hora de partir
Talvez um dos problemas da vida moderna seja
o confinamento das pessoas em espaços e atividades que pouco trabalhem a
capacidade de reflexão, impedindo movimentos mais livres em direção ao
autodescobrimento e ao desenvolvimento de talentos latentes, à espera de uma
chance para serem expressos.
Quando a vida proporciona condições para uma
pausa, nem sempre aproveitamos a oportunidade para buscarmos uma direção e um
sentido maior que justifique o que fazemos com nosso tempo sagrado. A causa de
nosso adoecimento social, a escalada do consumismo e a troca de valores humanos
por valores operacionais e funcionais é fruto do imediatismo, colheita da
pressa, sintoma de nossa desconexão com nossa essência humana mais pura.
Não podemos partir enquanto não colocarmos o
que há de melhor em nós. Precisamos nos atentar aos processos e não somente nos
pautar em resultados, pois, em tudo o que é natural, o resultado é uma
consequência. A artificialidade do mundo está nos cegando para aquilo que nos é
mais caro, como, por exemplo, nossa autoexpressão legítima e nossa missão neste
mundo. O mundo não nos aceita com facilidade, a não ser que sejamos o que ele
quer.
Se nascêssemos prontos para expressar
imediatamente nossos talentos, esta reflexão não faria sentido algum. Mas
talentos e vocações são autodescobertas que levam tempo e precisam de cuidado,
atenção e maturação. Somente poderemos partir, plenamente, quando o suficiente
for atingido e quando nossa autoralidade ficar marcada. Será isso que
identificará nossa passagem neste mundo — não importa se seremos bem-quistos ou
não. Nossa missão não é medida pelo que o mundo valoriza, mas pelo que o
destino, reservado a nós pelo Criador de todas as coisas, nos privilegiou para
sermos.
Conclusão
Portanto, resistir à hostilidade do mundo não
é apenas um ato de sobrevivência, mas um compromisso sagrado com a própria
essência. Não se apresse em partir enquanto sua semente ainda busca o sol; a
pressa e o barulho externo são distrações que tentam silenciar sua verdadeira
vocação. Honre o tempo de sua maturação e a singularidade de seu ritmo. Somente
quando sua marca única for impressa na existência, e sua missão perante o
Criador for plenamente manifestada, é que sua jornada terá alcançado a
verdadeira "autoralidade". Fique, floresça e cumpra o seu destino.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. Por que o autor afirma que "o mundo
não nos quer"?
O autor argumenta que a sociedade moderna
utiliza ferramentas como a tecnocracia, a judicialização e a polarização para
exercer controle social e recrudescer movimentos discriminatórios, o que acaba
por sufocar a autoexpressão legítima dos indivíduos.
2. Qual é a relação entre a adversidade e a
missão individual?
Segundo o texto, a hostilidade do mundo e as
perseguições podem atuar como um catalisador do destino, servindo como
instrumentos para o afloramento da missão de cada pessoa.
3. Como o autor define a resiliência humana?
A resiliência é descrita como uma escolha
consciente que surge da disposição do indivíduo em enfrentar o desconforto
e a adversidade, provando que a natureza humana é mais resistente do que se
imagina.
4. Qual a diferença entre um "destino
demarcado" e um "destino forjado"?
O destino demarcado liga-se à herança
geracional e familiar. Já o destino forjado não possui lógica ou
racionalidade aparente, sendo construído sob pressões incomuns e críticas,
movido por uma luta íntima contra limitações.
5. Segundo o texto, quando alguém se sente
"autorizado" a partir?
A partida — seja ela uma mudança de ciclo ou
o fim da vida — só deve ocorrer após o indivíduo cumprir o propósito que seu
coração dita, alcançando o objetivo de sua missão.
6. Qual a importância da "pausa" e
do "silêncio" na vida moderna?
Eles são essenciais para encontrar a própria
vocação. O autor utiliza a metáfora da semente para mostrar que o crescimento
exige tempo, condições ideais e proteção contra o caos mental provocado
pela pressa.
7. O que o autor identifica como a causa do
"adoecimento social" atual?
O adoecimento é fruto do imediatismo e da
pressa, que resultam na troca de valores humanos por valores operacionais e
funcionais, desconectando o homem de sua essência mais pura.
8. Por que devemos focar nos processos e não
apenas nos resultados?
O autor afirma que, em tudo o que é natural,
o resultado é uma consequência. Pautar-se apenas em resultados pode
levar à cegueira em relação à missão e à autoexpressão.
9. O que o autor quer dizer com
"autoralidade"?
A "autoralidade" é a marca pessoal
e única que cada um deixa no mundo. É o sinal de que o indivíduo atingiu a
maturação de seus talentos e cumpriu sua missão, independentemente de ser
aprovado pela sociedade.
10. Como a missão humana é medida, segundo a
conclusão do artigo?
Ela não é medida pelos valores que o mundo
valoriza (como produtividade ou aceitação social), mas pelo que o destino
reservado pelo Criador privilegiou cada ser para ser.
Veja mais
Assista a um vídeo anime explicativo deste
texto, dentre outros, clicando AQUI

Comentários