> A CHAMA INTERIOR: O sagrado diante da racionalidade Pular para o conteúdo principal

A CHAMA INTERIOR: O sagrado diante da racionalidade

CHAMA INTERIOR

 

A sacralidade de nosso destino
 

A chama da vida

Quem já tentou acender uma vela ao vento deve se lembrar do quanto é difícil controlar as chamas. Às vezes o vento cessa e a chama se estabelece, mas logo depois começa a soprar, ora de um lado, ora de outro e logo estamos procurando um anteparo ou um lugar mais protegido para finalmente, manter a chama viva.

Talvez, possamos usar esta ação tão comum em uma metáfora para nossas vidas, mais especificamente, no que toca à nossa percepção e necessidade de manter a chama que queima dentro de nós viva! A chama da vida é algo que se confunde com nossa essência mais profunda, aquela que tremula diante das ventanias que nos acometem na vida. Provavelmente, existe uma relação entre as tribulações da vida e a nossa responsabilidade sagrada em manter esta essência, apesar delas.

Sentimos uma perturbação desconfortável toda vez que esta essência é agredida e, às vezes, a chama quase se apaga, mas se recupera tão logo os tempos difíceis passem. Por outro lado, também, a chama nos queima o coração com tanta intensidade que mal conseguimos contê-la, nos servindo como força propulsora para enfrentar as tempestades da vida, com coragem e resiliência.

Boa parte de nossas dificuldades, confrontos e nossas dores, numa metáfora da existência, poderia ser interpretada como tempestades naturais, que avivam nossa chama interior. Mas, aqui caberia pontuar que nem tudo é uma questão aleatória pois certos problemas, são criações humanas!

As tempestades criadas pela prepotência humana (como a opressão e a frieza materialista) buscam deliberadamente asfixiar a essência. Isso torna o dever de "manter a chama viva" uma responsabilidade política e sagrada, e não apenas um exercício de resiliência individual.

 

O sagrado não é racional

O desrespeito ao que nos é mais sagrado, como os desígnios de um destino, por exemplo, é muitas vezes baseado no fato de que nós, como seres racionais, não somos preparados para lidar com algo que não possa ser explicado, medido ou provado. Este é um dos pontos mais fracos de nossa intelectualidade!

Somente mentes extremamente estreitas conseguem acreditar que podem avaliar uma vida humana, pois tentar medi-la é um ato de violência contra o sagrado. A obsessão por medir, provar e explicar não é uma busca por verdade, mas uma tentativa desesperada da "mente estreita" de controlar o que é indomável por natureza e quem vive apenas pelo que pode ser "provado" está, na verdade, apagando a própria luz antes mesmo do vento soprar.

Quando maior a sua prepotência, maior é o dano e a agressão provocada por uma pessoa que confia demais em sua racionalidade!  Conceber-se como um ser capaz de compreender todo o mistério de nossas vindas a este mundo é uma afronta direta a quem nos concedeu esta vida!

Mesmo assim, bilhões de pessoas escolhem negar sua dimensão metafísica voltando-se para uma vida puramente material e acaba sacralizando coisas mundanas para preencher seu vazio de propósito e sentido de vida. Pior, essa racionalidade não é apenas uma escolha, mas uma forma de cegueira imposta.

A racionalidade não consegue trabalhar com o que não é objetivo, deixando de ouvir a voz interior, que como fogo queima em nossos corações e nos impele ao combate ético. Este combate representa nossa recusa em ser um "recurso" ou um "dado estatístico", contra a lógica traiçoeira do mundo da exploração do homem pelo homem. Assim, a chama interna que não tem explicação lógica, é capaz de nos levar a embates contra quem desrespeita e agride aquilo que nos é sagrado. Manter esta chama acesa não é apenas um ato contemplativo, mas uma insurreição ética.

 

A escuridão realça nossa luz

A palavra-chave para nossas expectativas talvez seja "esperança", para darmos sentido e propósito a cada passo, conectados com o Criador de todas as coisas. Quem sabe, consigamos desvendar parte do Grande Plano que Ele reserva a todos nós, em nossa curta passagem por este mundo, um dia a cada vez. E este desvendar pode nos impulsionar à luta por um ideal mais elevado, acima de nossos interesses mais mesquinhos.

Precisamos ter a consciência sobre a responsabilidade em manter a chama da vida acesa e, também, defendê-la contra as explorações alheias. Viver o próprio destino é, no limite, um ato de coragem e honestidade de quem se recusa a pesar na vida alheia, enquanto luta por um "ideal mais elevado" diante de um destino iluminado.

A gente vive de expectativas boas para os dias que virão, mesmo sabendo que vamos enfrentar dias bons e ruins, pois sabemos que somos feitos de uma matéria incandescente superior. A esperança se deve a esta certeza sobre esta matéria que nos habita, que nos torna perigosos para qualquer sistema que tente nos controlar.

Existe condição melhor para enxergarmos as estrelas do que o anoitecer? Existiria sentido na alegria se não conhecêssemos a tristeza? Saberíamos que nossa aprendizagem nunca chega ao fim, não fosse nossos tropeços causados pela nossa ignorância e arrogância? Daríamos valor à liberdade se não fôssemos controlados?

As atribulações, sofrimentos e dores sempre existirão para que possamos mostrar nossa luz, a qual parte de dentro de nós, de nossa chama interior! Portanto, escuridão e luz andam juntas por uma estratégia do destino, que talvez explique a coexistência entre a imbecilidade humana e aquilo que podemos chamar de inteligência superior, que coloca o sagrado sobre toda a racionalidade humana.

A imbecilidade não é apenas falta de conhecimento, mas a arrogância da ignorância organizada como tentativa sistêmica de apagar o brilho alheio para que a mediocridade materialista não seja questionada.

 

Conclusão

Portanto, sustentar nossa matéria incandescente não é um recuo contemplativo, mas o ato supremo de insurreição. Contra a cegueira da métrica racionalista e a mediocridade da ignorância organizada, que nossa chama seja o incêndio ético que desafia o sistema para, enfim, honrar o mistério sagrado que nos habita.

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

 

1. O que representa a metáfora da "vela ao vento" no contexto da vida humana?

A metáfora ilustra a dificuldade de manter viva a nossa essência mais profunda diante das adversidades. Assim como uma chama precisa de anteparos contra o vento, o ser humano tem a responsabilidade sagrada de proteger sua chama interior das tribulações que tentam apagá-la.

2. Por que o texto afirma que tentar medir uma vida humana é um "ato de violência"?

Porque a vida possui uma dimensão sagrada que a racionalidade técnica não consegue compreender. A obsessão por medir, provar e explicar é vista como uma tentativa desesperada da "mente estreita" de controlar o que é, por natureza, indomável.

3. Qual é a diferença entre as "tempestades naturais" e as criadas pela "prepotência humana"?

As tempestades naturais (dificuldades inerentes à existência) podem servir para avivar a chama interior. Já as tempestades criadas pela prepotência, como a opressão e a frieza materialista, são deliberadamente desenhadas para asfixiar a essência humana.

4. Como a racionalidade pura pode se tornar uma "cegueira imposta"?

A racionalidade torna-se uma cegueira quando impede o indivíduo de ouvir sua voz interior e de reconhecer sua dimensão metafísica. Ao focar apenas no que é objetivo e "provável", o ser humano acaba sacralizando coisas mundanas para preencher um vazio de propósito.

5. O que o autor define como "insurreição ética"?

A insurreição ética é o ato de manter a chama interior acesa como uma forma de resistência. Isso implica na recusa em ser tratado como um "recurso" ou "dado estatístico" dentro da lógica de exploração do homem pelo homem.

6. De que forma a "esperança" é ressignificada na fonte?

A esperança não é uma espera passiva, mas a certeza sobre a "matéria incandescente superior" que habita o ser humano. Essa convicção torna o indivíduo perigoso para sistemas de controle, pois sua força vem de um ideal que a métrica materialista não alcança.

7. Qual é a função da escuridão e dos tropeços na jornada humana?

A escuridão (sofrimento e dores) serve como o cenário necessário para que a luz interior se manifeste. Da mesma forma, os tropeços causados pela ignorância revelam que o aprendizado é contínuo, dando valor a conquistas como a alegria e a liberdade.

8. Como a "imbecilidade humana" é descrita de forma sistêmica?

Ela é definida como a "arrogância da ignorância organizada". Não é apenas falta de conhecimento, mas uma tentativa ativa de apagar o brilho alheio para evitar que a mediocridade do sistema materialista seja questionada.

9. O que significa, no limite, "viver o próprio destino"?

Significa um ato de coragem e honestidade. É a escolha de lutar por um ideal elevado e caminhar em direção a um "destino iluminado", recusando-se a ser um fardo ou "pesar na vida alheia".

10. Por que a racionalidade é considerada um dos pontos mais fracos da nossa intelectualidade?

Porque os seres racionais não foram preparados para lidar com o que não pode ser explicado ou provado. Essa limitação intelectual gera desrespeito ao sagrado e aos desígnios do destino, pois a mente racional ignora o "fogo que queima no coração" por falta de lógica


Veja mais

Assista a um vídeo anime explicativo deste texto, dentre outros, clicando AQUI

Comentários

POSTS MAIS VISTOS

NOSSO DESTINO: Quando saímos de nosso porto seguro

  Reflexões de um pai   O início de nossas caminhadas é uma autodescoberta Nesta vida é até possível prever o que poderá acontecer no próximo minuto, com uma certa probabilidade. Mas nem todo conhecimento nos permite prever como reagiremos a um acontecimento ou como iremos atuar ou decidir, mesmo que achemos estarmos preparados. Assim é quando nossos jovens partem para o mundo. É mais comum que quase nada aconteça conforme nossas previsões ou até mesmo conforme nossos desejos sobre um evento qualquer, especialmente, quando nos expomos de verdade ao mundo externo e a outras pessoas. Assim, o caminho de cada um em suas jornadas pessoais depende da sabedoria, da orientação, do autoconhecimento e da Fé, pois há muito tempo sabemos que existe um “caminho das pedras” a enfrentar.   É preciso coragem para sair para o mundo Temos que lembrar que apenas parte de nosso “ser” é conhecido por nós mesmos e ninguém consegue adivinhar nossos pensamentos, exceto nosso Cri...

A ELEGÂNCIA DA IDADE: Pensando sobre a Idade Avançada

  Uma visão incomum sobre a velhice            A diferença entre lentidão e retidão Um dia, ao observar um ancião, percebi que seus modos eram quase um movimento em câmera lenta. Tudo o que ele fazia era de forma bem compassada, focada e serena. Para quem ainda não passou do meio século de vida é algo até engraçado, mas não devemos confundir lentidão com a retidão das pessoas idosas. O problema é que não percebemos que, na verdade, o nosso modo acelerado de ser dos dias atuais é que é a verdadeira anormalidade. Talvez esteja na hora de fazermos alguns questionamentos : Por que tanta pressa, tanta necessidade de correria que nem nossas almas conseguem mais alcançar nossos corpos? Quem disse que a pressa é a maior premissa do bem viver?   As marcas que não podem ser compradas Ao contrário do que muitos podem pensar, aquele mesmo ancião não tinha grandes posses, não tinha sequer um automóvel em sua garagem. Sua expressão ...

FIRMEZA: A força de vontade nasce da firmeza mental

  O que significa ser uma pessoa firme   Força de vontade Manter-se firme não significa ser inflexível, pois nada é fixo e permanente ao longo de nossa jornada da vida. Neste contexto, qualquer distração pode nos tirar fora de uma trilha previamente estudada e planejada. Terminar o que começamos, iniciar o que programamos, fazer o que precisa ser feito depende de algo gerado por nosso próprio propósito, e isto podemos chamar de “força de vontade”.   A vontade nasce com a intenção A vontade própria acaba? Ela depende de forças internas ou externas? Temos como regular a força da vontade? Podemos sabotar a própria vontade? Existe alguém em plena capacidade mental e física que não tenha vontade nenhuma para nada? Manter-se firme em um determinado propósito requer uma análise daquilo que queremos, se vale a pena ou não. Ir contra nossa própria vontade também depende de como fomos condicionados e treinados, motivo pelo qual somos considerados seres com o livre arb...