Nunca negue suas origens
A primeira personalidade
Será que nossa descendência terrena é obra do
destino? O que aprendemos em nossa tenra infância junto a costumes e culturas no
seio familiar tem algum propósito? A forma como adquirimos as primeiras
perspectivas de mundo dependem deste contexto inicial? Isso está ligado a
alguma missão especial nesta vida?
Ao me recordar de memórias antigas não posso negar
que certas atitudes e filosofias de vida foram herdadas de meus ancestrais. Penso que
talvez exista uma estrutura cognitiva que me permite o acesso a intuições, pressentimentos, expectativas e formas de sentir o mundo à minha volta, de
uma forma bastante peculiar.
Muito embora se propague por aí que somos
frutos de nosso meio de convivência, há elementos que independem desta influência
externa, por estarem intimamente ligados à nossa primeira personalidade, vinda
de um processo informal de formação de valores e princípios que, sem distinguir
qualquer mérito, são originados por uma evolução entre gerações. Assim, sentir
o mundo não é apenas uma impressão subjetiva, mas o reflexo prático e funcional
daquela primeira personalidade, como uma âncora formada por uma evolução que
antecede o nascimento
Dizem que é preciso milhares de pessoas em
uma trajetória genealógica até chegar a cada um de nós e uma ínfima probabilidade
de termos nascido como somos. Isto é um fato que coloca o destino como uma força
maior que não podemos compreender, mas que dá sentido a uma missão que passa
de geração a geração. Por isto, será que temos realmente uma missão puramente
individual neste mundo ou será que apenas compartilhamos uma única grande missão?
Nosso compromisso
Mesmo sem saber a resposta certa, podemos
inferir que não conseguimos nos desvincular desta relação terrena com nossos
antepassados. Em Países asiáticos existe um respeito e compromisso com as gerações que se foram, que permanece em cada pessoa da
geração atual. Este compromisso muitas
vezes pode ser sentido como um tipo de cobrança interna, não externa, vinda de
um desconforto natural, quando a pessoa age contra sua essência, ligada às
origens mais longínquas.
De certa forma, essa cobrança interna é um
mecanismo biológico/espiritual que garante a continuidade da missão através das
gerações. Quanto mais antiga é a origem, os valores e princípios se
tornam mais nítidos e sólidos no jeito de ser, de viver, de trabalhar, de enfrentar
desafios, de reagir ao mundo e, especialmente, de criar. Mais uma vez, sem pensar
no mérito sobre certo ou errado, isto é uma herança étnica que afeta o modo
de ser e pensar de uma pessoa.
Uma herança interior
Como esta influência geracional, tão
subjetiva, pode ser identificada em cada um de nós?
Talvez, a melhor forma seja quando agimos ou realizamos algo, quando nos relacionamos com as pessoas que encontramos
neste mundo. Assim, partindo-se da ideia de que uma herança pode ser boa ou ruim ou nenhum
dos dois, pode-se dar o exemplo dos povos asiáticos, cuja herança geracional influencia desde o modo de se cumprimentarem, até o senso aguçado de dever enquanto um trabalho
não é realizado, somados à uma persistência natural para não desistir fácil de um objetivo traçado.
Neste caso, como em outras etnias, toda vez
que algum descendente asiático se contrapõe a seus valores e princípios
internos, não sente a culpa por não os seguir, mas sim uma vergonha íntima que
o atormenta, mesmo não aceitando ou não reconhecendo sua origem. A persistência
e o senso de coletividade dos asiáticos são exemplos de um modo de ser e pensar herdado.
Não
é incomum em países asiáticos, uma autoridade abdicar de
seu cargo por ter cometido algum erro ou ter sido o responsável, em dado momento, quando
algo prejudicou uma coletividade. O desconforto natural é o reflexo de uma pressão interior vinda da essência, que pode ser compreendido como a evidência sensorial de uma missão compartilhada.
O preço da herança
Pode-se dizer que os conflitos entre os povos se
baseiam na origem étnica, quando tudo se liga a um contexto macro de competição, sobrevivência e convivência.
Choques culturais são normais quando valores e princípios de tão diferentes
origens se misturam. Contudo, é necessário refletir sobre um Plano Maior que
une todas as etnias do mundo, como uma necessidade evolutiva.
Não é porque não há compreensão das
diferentes culturas que precisamos escolher a melhor entre elas pois não existe
uma cultura melhor ou pior. Formamos um grande e único tecido da vida, no qual,
a humanidade é apenas uma parte do todo e, neste contexto, a evolução humana se
beneficia da diversidade e da heterogeneidade cultural de todos os povos, ou
assim deveria ser.
Por conta da ignorância, da ganância e da
pequenez de um mundo estruturado em um sistema de escassez, a humanidade já
observou muitas tragédias, mazelas e disputas sem sentido ao longo de nossa
trajetória neste mundo, ao longo de todas as gerações. Mas, lições universais
também foram solidificadas, como por exemplo: a afetividade que é universal, a
paz interior que é uma busca de toda pessoa, o amor e o cuidado com as novas
gerações que é um instinto poderoso que edifica direitos e deveres terrenos.
A luta humana contra a perversidade do mal
que insiste em golpear, manipular, submeter a subserviência, impor à força
ideologias e paradigmas discriminatórios e separatistas é um longo processo de
evolução, onde avanços e retrocessos convivem em todas as partes deste mundo. Esta
luta compõe um esforço para a superação de ideologias erráticas sobre a
evolução humana.
Novos tempos
Assim, se tudo o que já registramos na história
tem relação com os diferentes povos do mundo, não está na hora de preservarmos
e respeitarmos cada cultura em nosso meio de convivência? Por que discriminar
ou promover o extermínio de grupos étnicos por pura ideologia ou imposição de
vontade de outros grupos que se consideram superiores? Será que não estamos
enxergando os novos tempos?
Os valores e princípios solidificados pela
humanidade são frutos de um processo evolutivo dolorido e cheio de vergonhas
que não gostamos de admitir. Porém, são lições valiosas que colocaram à prova
as melhores virtudes humanas no caminho do amadurecimento e da sabedoria verdadeira.
Mesmo que muitas vozes tenham sido caladas ao
longo desta trajetória, muitas crenças e ideologias erráticas contra as quais
elas falavam ruíram moralmente ou quase chegaram a esse ponto neste mundo
moderno. É chegado o tempo para a reflexão e para a meditação por uma vida
coletiva melhor, por uma unidade real do ser humano com seu próprio planeta,
com a vida que lhe foi concedida para ser vivida de fato, em harmonia com todos
os povos espalhados pelo mundo.
Nisto reside a esperança de que não viemos a
este mundo para sofrer e nos submeter à vontade do mundo da escuridão, mas sim,
para viver e usufruir de um mundo de luz, e isto não é mais uma questão experimental,
mas uma conclusão lógica a partir de tantos erros e tentativas ao longo de milênios
de evolução.
Conclusão
Em última análise, honrar nossa descendência
não é apenas um ato de memória, mas o reconhecimento de que somos o ponto de
convergência de milênios de evolução e valores. Ao conciliarmos nossa primeira
personalidade com a busca universal por paz e afeto, transformamos a herança
ancestral em uma bússola para a unidade real com o planeta e com a vida. É
nessa harmonia entre o respeito à diversidade e o compromisso com nossa missão
compartilhada que a humanidade poderá, enfim, transcender as sombras do passado
e habitar plenamente um mundo de luz e verdadeiro crescimento humano.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. O que o autor define como "primeira
personalidade"?
A primeira personalidade é descrita
como uma estrutura cognitiva formada por uma evolução que antecede o
nascimento. Ela funciona como uma "âncora" de valores e
princípios que independem das influências externas do meio em que vivemos,
moldando nossa forma peculiar de sentir e interpretar o mundo.
2. Qual a relação entre o destino e a nossa
trajetória de vida?
O autor argumenta que a ínfima probabilidade
de termos nascido exatamente como somos coloca o destino como uma força
maior. Esse destino dá sentido a uma missão que é transmitida de geração
em geração, sugerindo que nossa existência não é apenas individual, mas
parte de um propósito coletivo.
3. O que é a "cobrança interna"
mencionada no texto?
A cobrança interna é um mecanismo
biológico e espiritual que garante que a missão ancestral continue sendo
cumprida. Ela se manifesta como um desconforto natural ou uma
"vergonha íntima" quando o indivíduo age contra sua essência ou
contra os valores herdados de suas origens mais remotas.
4. Como a herança ancestral pode ser
identificada em nossas ações?
Essa influência, embora subjetiva, torna-se
visível no modo de ser, trabalhar, enfrentar desafios e criar. Ela se
reflete em como nos relacionamos com as pessoas e nas reações automáticas que
temos diante dos acontecimentos do mundo.
5. Qual o exemplo prático utilizado para
ilustrar a influência dos valores ancestrais?
O texto cita os descendentes de orientais
asiáticos, destacando traços como a persistência, o foco em realizar o
trabalho e o senso de coletividade. Um exemplo extremo é quando uma
autoridade abdica de seu cargo por um erro que prejudicou o grupo, evidenciando
essa missão compartilhada.
6. Como o autor encara a diversidade cultural
e os conflitos entre povos?
O autor afirma que não existe uma cultura
melhor ou pior; a humanidade forma um "único tecido da vida". Os
choques culturais são vistos como parte de um contexto de sobrevivência, mas a
diversidade é defendida como uma necessidade evolutiva benéfica para o
todo.
7. Quais são as "lições universais"
solidificadas ao longo das gerações?
Apesar das tragédias históricas, a humanidade
consolidou valores como a afetividade universal, a busca pela paz
interior e o instinto de cuidado com as novas gerações, que
estabelece a base de direitos e deveres humanos.
8. No que consiste a "luta humana"
descrita no artigo?
É um processo evolutivo de longo prazo para
superar a "perversidade do mal", que tenta impor ideologias
discriminatórias e separatistas. A luta visa a superação de paradigmas
erráticos que tentam submeter as pessoas pela força ou manipulação.
9. O que caracteriza os "novos
tempos" propostos pelo autor?
Os novos tempos exigem o respeito absoluto
a cada cultura e a rejeição de qualquer ideologia de superioridade étnica.
É um chamado para a unidade real do ser humano com o planeta e com a
própria vida, vivendo em harmonia com todos os povos.
10. Qual é a conclusão final sobre o
propósito de honrar nossa descendência?
Honrar a descendência é reconhecer que somos
o ponto de convergência de milênios de evolução. Ao conciliar nossa
essência ancestral com a busca por paz e afeto, transformamos essa herança em
uma bússola para habitar um mundo de luz e verdadeiro crescimento
humano.
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texto, dentre outros, clicando AQUI

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