O que não percebemos com os sentidos comuns
Quando não fazemos força para gostar
Se
alguém passar por sua vida e você não conseguir mais esquecê-la, será que não
foi porque a beleza daquela alma te cativou para sempre? Quando isto acontece, entre todos os
sentimentos, o primeiro deles está associado a uma imensa gratidão, quase uma
dívida eterna. Algo que te faz sorrir sozinho, sem nada exagerado, como um
vínculo de luz que nos sustenta em tempos difíceis. Posteriormente, misturam-se sentimentos que
sublimam em um perfume difícil de descrever, que lembra momentos de leveza, de
desprendimento e liberdade.
Este
fato tão raro nos dias de hoje sempre aconteceu entre seres humanos, mas a complexidade
da vida moderna praticamente enterrou nossa percepção da beleza das almas.
Talvez por isso, os relacionamentos humanos tenham se tornado mais frios, mais
calculistas e cheios de malícias e, pior, de medo.
Primeiro
porque os relacionamentos rasos não são capazes de trazer aquilo que deveria
ser trazido: um tipo de conforto e paz sem compromisso, sem cobranças, simplesmente,
algo que preenche o espaço e o tempo, deixando a vida verdadeiramente prazerosa,
no ponto certo, sem excessos. Precisaríamos nos desprender mais da concepção
utilitarista do mundo moderno para podermos apreciar mais a nossa própria
essência.
Provavelmente é pela simplicidade que, neste contexto, significa menos raciocínios rebuscados,
moralizantes e intelectualizados, que encontramos o caminho de acesso mais fácil para a percepção
da beleza da alma, ou seja, para a percepção do outro.
A vida
provoca um endurecimento de nossos corações, o que nos impede de dar espaço e
tempo para usufruir este detalhe da existência, de tal forma que nos impossibilita,
também, de reeducar as novas gerações sobre este olhar para a beleza imaterial.
Marcas profundas
Nossos
cérebros possuem uma capacidade de receber e armazenar informações de todos os
tipos, em diferentes camadas de nossas personalidades. Não se trata aqui das
informações que nos permitem tomar decisões ou fazer escolhas, pois a área
sobre a qual estamos refletindo neste texto, se liga a uma percepção que nos
vem como intuição, como sensibilidade, como discernimento que nos capacita a
filtrar o comum do transcendental, para nos sintonizarmos com a energia vital
de outra pessoa.
É isto
o que nos permite diferenciar aquilo que fazemos para lidar com nossas
atividades diárias, daquelas visões que transcendem o tempo e o espaço, o
concreto e o imaterial, aquilo que talvez mais se aproxime do conceito usual que temos
de espírito ou alma. Seria como poder reconhecer e compreender que existe um legado
mais emocional e afetivo (perfume), que alguém pode deixar para outro ser
humano.
É
neste nível ou frequência em que enxergamos aquela beleza indescritível, quando
podemos sentir a força de um olhar cheio de vida, de brilho e energia vital que
tanto precisamos e que, quase sempre negligenciamos. Este fenômeno é algo
especial que ocorre entre um ser humano e outro, independente de credo, raça,
religião, gênero ou qualquer tipo de classificação utilitária para a vida
cotidiana.
O que
talvez fique mais marcado na pessoa que encontra esta beleza em alguém é a
absoluta segurança, autoestima e autonomia que aquele olhar transmite. Essas
pessoas simplesmente confiam em seu propósito, mesmo que seja apenas nos fazer sorrir
genuinamente, de forma gratuita. São pessoas capazes de nos passar uma
segurança incomum, mesmo que estejamos enfrentando adversidades em nossa
jornada pessoal. Junto a isso tudo, ainda se comunicam conosco com atitude, sem
mesmo usar uma única palavra.
A competência humana iluminada
Talvez
este fenômeno possa ser o nosso próprio eu mais profundo, que enxergamos como
de outra pessoa, mas que existe em nós, na essência. Talvez essa pessoa que
achamos ser uma luz rara esteja apenas representando o que não conseguimos concretizar.
Porém, é mais confortante acreditar que existem pessoas assim no mundo e, às
vezes, uma única pessoa capaz de nos estimular tanto. A leveza e liberdade que
o perfume da alma proporciona, contrasta com o vazio da modernidade através do verdadeiro preenchimento da alma.
Este
ideal de pessoa, acaba nos servindo como uma referência do quanto podemos
crescer ainda, dos caminhos que ainda temos que trilhar para chegar naquele
nível existencial tão elevado. Mas, isto só acontece se nos permitirmos admirar as
qualidades que não enxergamos em nós mesmos, no momento ou contexto que estamos
vivenciando.
Não é
o conhecimento, as habilidades ou algum talento extraordinário que compõe este
ideal, mas sim a magnitude da verdadeira competência humana. Ao reconhecermos a capacidade de outro
ser humano que pode agir como um polidor de nossa própria luz, é porque encontramos alguém que já definiu o
próprio brilho. E, por isso, fica uma pergunta para refletirmos: será que nossos
ideais mais elevados dependem deste tipo de visão, deste exemplo de beleza para
buscarmos nosso real desenvolvimento e propósito? Será possível realizarmos
façanhas maiores na vida, sem qualquer tipo de inspiração vinda de um ser humano
real e concreto?
Neste
contexto, o desenvolvimento humano é um processo coletivo de espelhamento e talvez
nos falte trabalhar mais este tipo de competência humana, no sentido de
inspirar e não desmotivar outras pessoas, de sermos um apoio efetivo para o
crescimento alheio, com um compromisso muito pessoal em servir como agente
catalizador do real bem-estar de alguém, sem querer retorno, sem máscaras e sem
segundas intenções.
Felizes
são todas as pessoas que já tiveram uma inspiração vinda de uma pessoa de carne
e osso, em algum momento da vida, para seguir a própria jornada com um norte,
uma proteção e uma esperança tão claras assim. Disso, podemos concluir que nossas
vidas possuem um sentido que não se explica, apenas se sente quando nos
permitimos parar para usufruir a sorte de encontrarmos pessoas especiais neste mundo.
Conclusão
Sendo
assim, que saibamos silenciar o cálculo do mundo para respirar o perfume da
alma, essa fragrância invisível que ignora o tempo e as classificações
utilitárias. É esse aroma de leveza e liberdade que transforma um simples
encontro em uma dívida eterna de gratidão, sendo o único rastro capaz de guiar
o coração de volta à sua essência e à verdadeira beleza que transcende o espaço
e o tempo.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. O
que o autor define como o "perfume da alma"?
É uma fragrância
invisível e um legado emocional e afetivo que uma pessoa deixa em outra,
manifestando-se como um sentimento de gratidão eterna, leveza e
liberdade.
2. Por que a percepção da beleza das almas
tornou-se rara na atualidade?
Devido
à complexidade da vida moderna, que enterrou essa sensibilidade e tornou
os relacionamentos mais frios, calculistas e baseados no medo ou na
utilidade.
3. Qual
é o papel da simplicidade na conexão entre as pessoas?
A simplicidade
(menos raciocínios rebuscados e intelectualizados) é o caminho de acesso
mais fácil para perceber a essência do outro, funcionando como um estado de
abertura.
4. Como o cérebro humano processa essa
percepção transcendental?
Através
de camadas da personalidade ligadas à intuição, sensibilidade e
discernimento, que permitem filtrar o que é comum do que é transcendental,
sintonizando-nos com a energia vital alheia.
5. Quais são as marcas deixadas por alguém
que possui essa "beleza da alma"?
A
transmissão de uma segurança incomum, autoestima e autonomia através de
um olhar cheio de vida e brilho, capaz de comunicar atitude mesmo sem o uso de
palavras.
6. A percepção desse "perfume"
depende de classificações sociais ou religiosas?
Não.
Esse fenômeno ocorre de forma especial entre seres humanos independente de
credo, raça, religião, gênero ou qualquer outra classificação utilitária da
vida cotidiana.
7. O que significa o conceito de
"competência humana" no contexto do texto?
Significa
a capacidade de agir como um agente catalisador do bem-estar alheio,
servindo de inspiração para que o outro realize o polimento da própria luz.
8. Como o desenvolvimento humano é
relacionado ao encontro com o outro?
O
desenvolvimento humano é descrito como um processo coletivo de espelhamento,
onde admirar qualidades em terceiros nos serve de referência para o nível
existencial que ainda podemos atingir.
9. Qual é a crítica do autor em relação aos
relacionamentos rasos?
O
autor afirma que relacionamentos superficiais são incapazes de trazer conforto
e paz, pois não preenchem o vazio da alma nem oferecem prazer verdadeiro à
existência.
10. Qual é o convite final feito pelo autor
para encontrarmos o sentido da vida?
O
autor convida a silenciar o cálculo do mundo para que possamos respirar
a essência que ignora o tempo, permitindo que esse rastro guie o coração de
volta à sua verdadeira beleza
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