Encontro consigo mesmo
Muitas vezes, nossos egos são construídos
para sermos aceitos em nossas bolhas de convivência e isto nos leva a infringir
nossa própria essência, com a ilusão de que assim, vamos pertencer melhor a um
grupo humano. Porém, isto tem um preço a médio e longo prazo que é uma sensação
perturbadora de contrariedade, um desrespeito aos próprios pressentimentos,
intuições e à própria perspectiva, tão única em cada um de nós.
O Dilema das Máscaras Sociais
O amor e a atenção conquistados pela
submissão e anulação de nossas personalidades originais nos causa mais danos ao
nosso bem-estar, do que podemos acreditar. A dualidade entre quem realmente somos
daquele ego mascarado que construímos, em busca de aceitação externa, nos deixa
vulneráveis, inseguros e ansiosos.
A grande diferença entre as duas posturas é
bem clara: a humilhação, a autodesvalorização e a falta de autoestima são os
maiores combustíveis da submissão às opiniões externas, mas, por outro lado, a
coragem para sermos autênticos nos exige, acima de tudo, uma atitude de
humildade, respeito e amor-próprio e desapego das vaidades. Não significa que
não aceitamos o convívio social, mas apenas que dispensamos convenções e
conveniências sem sentido.
A Lapidação do Diamante Interior
Em qual momento de nossas vidas deixamos
nossa essência de lado para agradar a plateia? De onde vem a crença de que tudo
o que é alheio é melhor que o nosso?
Neste contexto, não há outra saída para nossas frustações e ilusões do que aquela em que precisamos aceitar e compreender quem somos, mesmo que isso seja um processo de autodescoberta contínua até o fim de nossos dias. Querermos ser alguém, a partir daquele ser que podemos enxergar dentro de nós mesmos, é muito melhor do que perseguirmos imitações baratas de gente.
A Armadilha da "Imagem-Produto" e a Urgência do Crescer
Nosso processo de formação sofre muita
influência sobre a melhor “imagem-produto” que adotamos sem perceber, apenas
para nos sentirmos pertencentes a um mundo cheio de ilusões e falsa liberdade
interior, que aprisiona nossos talentos natos e nosso curto tempo de vida neste
mundo. Precisamos compreender que a vida é uma oportunidade de crescimento que
não podemos desperdiçar com futilidades e alienações sobre quem somos de fato.
Mas, quando será que despertamos nossa
consciência para a verdadeira essência? Talvez, quando exista um alinhamento do
que fazemos autenticamente, com honestidade para com nosso próximo e,
principalmente, para conosco mesmos! Nossa expressão natural, livre da
agressividade, da inveja e da doentia mania de comparação entre as pessoas, já
é um bom sinal de que estamos no caminho para o despertar de nosso eu
mais profundo.
Sinais do Despertar: Honestidade e Harmonia
Quando ouvimos alguém nos dizer: Nossa! Este
é aquele você único que eu conheço! Isto significa que conseguimos ser fiéis
ao nosso verdadeiro eu, o qual, nos faz pertencer a uma unidade humana, ligada
às nossas raízes terrenas mais longínquas, à nossa herança terrena responsável
pelo nosso jeito de ser, único.
A autenticidade que brota em nós, quando
somos nós mesmos, nos coloca em paz com tudo o que podemos ser e queremos fazer,
levando em conta sentimentos profundos de respeito, dignidade, afeto e harmonia
com a vida e com o universo e, portanto, de relação concreta com o Criador da
própria vida. Isso também acrescenta a empatia profunda por outras pessoas, que
passamos a encarar, de fato, muito mais parecidas com nós mesmos, com a mesma
identidade humana.
Quando nos respeitamos em primeiro plano,
isto não significa que queremos nos impor às outras pessoas ou ao mundo, mas
sim que sabemos respeitar nosso próximo pelo reconhecimento de nossa igualdade
perante esta vida. Quando conseguimos ser fiéis à nossa essência, podemos dar o
devido valor à alegria de perceber nossa própria personalidade, nosso jeito de
ser, sentir, perceber, interpretar e expressar aquilo que vem de nosso próximo,
pois assim acontece o espelhamento das almas em crescimento recíproco.
O Espelhamento das Almas e a Unidade Humana
O caminho da aceitação da autenticidade
individual, no permite identificar analisar diferenças comportamentais,
filosofias de vida e a forma como cada um caminha em sua jornada solitária, com
maior empatia. Esta aceitação nos permite aproveitar o melhor desta vida, que é
sentir que a plenitude do ser individual, não se contrapõe à plenitude alheia,
ou seja, sentir que a vida plena está garantida a toda pessoa, e que não
precisamos nos amarrar ou afetar alguém ao nosso jeito de viver a vida. A
questão é que há espaço e liberdade para todos, em um Plano Maior de
existência, que acolhe a todos nós.
Missão, Legado e a Evolução no Silêncio
Desta reflexão podemos intuir que sermos nós
mesmos é nos tornarmos pessoas íntegras internamente, gente de verdade, capazes
de atender aquele anseio, aquelas expectativas próprias, desenvolver nossos
talentos, nos alinharmos a uma missão e, ao mesmo tempo, participar e colaborar
efetivamente para um processo de evolução coletiva da própria humanidade, seja
lá onde estivermos.
Mais uma vez, é vital desvincularmos nossa
autoimagem dos modelos pré-concebidos pelas influências midiáticas, do
marketing e das ideologias relacionadas a um paradigma da moda ou das
convenções sociais pois isso não passa de distrações que mais nos fazem sofrer,
sem saciar verdadeiramente nossa alma.
Se assim agirmos, também não é no sentido de
que devemos nos contrapor a tudo e a todos de maneira anárquica ou reativa, mas
apenas nos dar o direito de ser quem podemos ser, de cumprir a missão que nos
cabe nesta vida e, com sorte, trazer algo realmente novo para este mundo, como
o legado de nossa participação no passo atual de nossa existência, na história que nos foi concedida para
continuar e dar um passo a mais, elevar a um nível a mais em nossa evolução
existencial. Este processo pode ser feito no silêncio com nós mesmos, sem precisar
aparecer nas mídias sociais.
A Elegância da Disrupção e o Valor da Vivência
O fato de não impedirmos a naturalidade e a
espontaneidade diante da etiqueta social não é uma atitude deselegante. A
manifestação de uma personalidade autêntica e pensamento refletido, além de
elegante, é uma atitude corajosa nos dias de hoje. Não significa petulância,
mas disrupção contra a normalidade e o vazio de propósito.
A maior compensação nisto é o alívio interior
que nos liberta de precisar seguir o pensamento de manada, e poder lidar com os
próprios pensamentos. Mesmo que a veracidade e autenticidade de nossa opinião possa
incorrer em nossa própria vulnerabilidade por conta de erros e falhas, isto só
fortalece o papel e o valor da vivência e da experiência em nossas jornadas pessoais.
É o tempo que dedicamos ao estudo e à reflexão que nos levará a acertar e
melhorar cada vez mais, sem precisarmos pular etapas, em um ritmo natural de
amadurecimento, apropriado a cada um de nós, o que deixa todos nós em pé de
igualdade, como seres existentes. Basta que tenhamos um pouco mais de paciência
para nos autodescobrirmos, acima da correria da vida moderna.
Conclusão
Portanto, a jornada de ser "gente de
verdade" é o retorno ao nosso estado mais sagrado e íntegro. Ao
aceitarmos a lapidação de nossa própria essência e respeitarmos o nosso ritmo
natural, deixamos de ser imitações para nos tornarmos expressões únicas da
vida. É nessa corajosa escolha pela autenticidade que encontramos, enfim, a paz
de estarmos em plena harmonia com nós mesmos, com o próximo e com o Criador.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
- Qual
é o custo emocional de sacrificar a própria essência para ser aceito em
grupos sociais?
O preço a médio e longo prazo é uma sensação
perturbadora de contrariedade e um desrespeito às próprias intuições e
perspectivas únicas. Essa anulação da personalidade gera danos ao bem-estar,
tornando o indivíduo vulnerável, inseguro e ansioso.
- Qual
a diferença fundamental entre a submissão e a coragem de ser autêntico?
A submissão é movida pela autodesvalorização
e falta de autoestima frente às opiniões externas. Já a autenticidade exige uma
atitude de humildade, respeito, amor-próprio e o desapego das vaidades
sociais.
- Como
a metáfora do diamante ajuda a entender o processo de autodescoberta?
O autor questiona a crença de que somos
"rochas sem valor", propondo que cada indivíduo é um diamante
bruto a ser lapidado. A saída para as frustrações é aceitar quem somos,
buscando o ser interno em vez de perseguir "imitações baratas de
gente".
- O
que o autor define como a armadilha da "imagem-produto"?
É a adoção de uma imagem superficial apenas
para sentir-se pertencente a um mundo de falsa liberdade, o que acaba
aprisionando talentos natos e desperdiçando o tempo de vida com futilidades e
alienações.
- Quais
são os sinais práticos de que uma pessoa está despertando para sua
verdadeira essência?
Os sinais incluem a honestidade consigo e com
o próximo, além de uma expressão natural livre de agressividade, inveja
e da "doentia mania de comparação" entre as pessoas.
- De
que forma a fidelidade ao "eu verdadeiro" impacta a relação com
os outros?
Ela promove uma empatia profunda,
fazendo com que enxerguemos o próximo como alguém muito parecido conosco. Isso
permite o "espelhamento das almas", onde passamos a respeitar
e valorizar a personalidade e os sentimentos alheios.
- A
autenticidade individual isola a pessoa da sociedade?
Não. O texto afirma que a plenitude
individual não se contrapõe à alheia. Existe espaço e liberdade para todos em
um "Plano Maior de existência", onde a aceitação das
diferenças permite aproveitar melhor a vida.
- O
que significa o conceito de "evolução no silêncio" apresentado
no texto?
Significa que o processo de se tornar uma
pessoa íntegra e cumprir sua missão pode ser realizado internamente, no contato
consigo mesmo, sem a necessidade de validação ou exposição em mídias
sociais.
- Por
que ser autêntico é considerado uma "elegância disruptiva"?
Porque manifestar uma personalidade
espontânea e um pensamento refletido é uma atitude corajosa que rompe
com a "normalidade" do vazio de propósito e com o "pensamento de
manada".
- Qual
é o objetivo final da jornada de ser "gente de verdade"?
É o retorno ao estado mais sagrado e íntegro
do ser. Ao respeitar o ritmo natural de amadurecimento, a pessoa encontra a paz
e a harmonia consigo mesma, com o próximo e com o Criador.
Veja mais
Assista a um vídeo anime explicativo deste
texto, dentre outros, clicando AQUI

Comentários