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QUANDO NADA IMPORTA TANTO: Os limites da libertação ou do aprisionamento

QUANDO NADA IMPORTA TANTO

 

O senso da importância

 

 

A ilusão da mudança

Conforme acumulamos experiências e vivências encontramos nosso verdadeiro “eu” e identificamos nossa forma peculiar de reagir, sentir, fazer e interpretar a realidade. Nesta jornada, passamos por diferentes fases, concluímos etapas e conquistamos um modo de sobrevivência.

Nestas diferentes fases, somos motivados por vontades e desejos que evoluem conforme envelhecemos e amadurecemos (Transformação verdadeira). Isto pode parecer um ciclo de mudanças que pode nos levar a crer que conseguimos mudar nosso próprio eu, conforme cada situação ou época da vida. Mas, no fundo, estamos descobrindo a cada dia uma característica ou habilidade que não havíamos usado ainda!

Então, da mesma forma que cada um de nós se autoconhece ao longo da jornada e, por isto, vivemos de um jeito diferente aquilo que já havíamos experimentado, realizado ou aprendido, não significa que surgiu uma nova pessoa. O que surgiu, de fato, foi uma nova forma de se enxergar e lidar com a realidade!

Aquela pessoa que queria sobreviver permanece! Aquele ser que precisava de amor permanece! Aquela alma curiosa e pulsante permanece! Aquela essência única permanece! Na verdade, então, não mudamos, mas sim, nos transformamos!

A grande ilusão seria acreditar que porque entendemos mais as coisas, fazemos algo diferente do que fazíamos e aprendemos a gostar de coisas diferentes da rotina padrão, nos tornamos outro ser. O ser sempre é o mesmo, mas pelo fluxo natural da vida, nos transformamos, aprimorando nossa forma de interagir com o mundo e com as pessoas, a partir de nossa constituição nata.

Isto pode ser interrompido tanto por nós mesmos como pelas forças do destino, impedindo ou travando nossos caminhos, não importa quais escolhas façamos. Isto leva a outra coisa que, na verdade não muda muito para todos nós, que é a incerteza do futuro, a dimensão daquilo que nos é dado a realizar em vida, pelo Criador de todas as coisas.

 

O que é importante

Quantas vezes ficamos sem paciência para esperar o momento certo para uma pessoa se transformar. Existe um delay entre o ponto existencial em que cada um de nós se encontra e o ponto existencial de outras pessoas e, por isso, surgem desentendimentos, forçamos a barra e somos levados a julgar o entendimento alheio, daqueles que encontramos ou convivemos ao longo da vida e a recíproca também ocorre conosco.

Isto não é ruim pois, a princípio, queremos compartilhar nossa visão de mundo com a realidade dos outros, a partir de uma perspectiva comum de interpretação da vida, a qual depende de parceria e companheirismo grupal. É a sobrevivência que une as pessoas para a realização de tudo o que é necessário para vivermos, combinando duas ou mais formas de interpretar a realidade.

Quando buscamos ou alguém busca uma transformação pessoal em nós ou no próximo, quer dizer que há um consenso de importância sobre as coisas que variam em grau, intensidade, compromisso, confiança e fé entre as partes envolvidas. Nossos vínculos interpessoais dependem do amor e da missão de cada um de nós, como parte dos ciclos de aprendizagem para as almas envolvidas.

Neste sentido, quando desejamos acompanhar nossos filhos até quando pudermos é um tipo de missão que nos faz procurar e buscar a transformação deles e para eles. Por outro lado, quando participamos de um determinado projeto em que somos, momentaneamente, essenciais para sua execução, em um tempo e espaço, isto faz parte dos encontros e desencontros naturais de nosso destino.

 

Autoabandono

Quando nos importarmos com alguém, a ponto de desejarmos sua transformação é porque estamos envolvidos, realmente, em uma interação com respeito e consideração! Todos nós precisamos vivenciar e até deveríamos manter uma conduta assim, com todas as pessoas que cruzam nossos caminhos. Mas não é bem assim o que acontece!

Às vezes desistimos ou desistem de nós! Somente quem já experimentou a descrença, a rejeição e a desaprovação de outras pessoas sabe o quanto esta experiência é desagradável e até dolorosa! Por que será que as pessoas deixam de nos procurar? De buscar nossa transformação pessoal? Não cabe, neste ponto aqui, sabermos o motivo, nem quem pode estar certo ou errado neste caso, mas sim, a importância deste evento em nossas vidas!

Esta vivência é essencial para compreendermos uma grande questão sobre nós mesmos: “Por que nos permitimos o autoabandono ou damos motivos para sermos abandonados? Será que é porque nos autoiludimos acreditando que já atingimos nossa transformação total? Será que é porque desistimos de nós mesmos e, por isso, as pessoas também desistiram de nós?”

Tentar responder estas questões, talvez, nos ajude a entender os limites do que seja importante ou menos importante, a partir de nossa própria condição de libertação ou aprisionamento! Muitas vezes, o aprisionamento ao ego e às posses é uma tentativa frustrada de compensar o vazio deixado pelo autoabandono ou pela rejeição alheia.

 

Libertação e aprisionamento

Quem pode se livrar das necessidades da sobrevivência, seja material ou existencial? Alguém pode viver uma vida totalmente desapegada das condições materiais básicas que sustentam a própria vida?

O que queremos dizer com libertação e aprisionamento? Neste contexto, libertação se refere à nossa capacidade de nos desapegamos das posses materiais, das aparências e das opiniões externas! Quando assim fazemos, podemos sentir mais leveza ao nos distanciarmos um pouco de nossos egos construídos para sobreviver!

Dar importância somente à sobrevivência é uma forma de aprisionamento! Sentir-se livre é estar alinhado à uma missão, enquanto o aprisionamento é o desvio dessa missão em favor de preocupações "mundanas".

Assim, aprendemos a lidar com a vida, nos equilibrando entre a liberdade de sermos despojados e tranquilos, como quem não esquenta muito com a vida, com o aquele outro lado totalmente amarrado à vida mundana! Quando mais nada importar, seja em relação àquela perspectiva despojada, seja para aquela mais apegada, ou chegamos ao fim da vida ou perdemos nosso senso de importância e sentido de nossas transformações ao longo da vida.

 

Nossos limites

Quais são os nossos limites? Talvez o limite esteja naquele ponto onde o cuidado com a sobrevivência deixa de ser uma ferramenta e passa a ser o senhor da nossa existência, gerando o aprisionamento.

Quem não se dedica ou se permite ser simplesmente carregado pelos outros na vida está dando oportunidade para o abandono social, uma vez que acaba se tornando um peso para si mesmo e para as demais pessoas. Há necessidade de cada um lutar pela sua sobrevivência e, se puder, ir além cuidando das necessidades de seu grupo de convivência.

Por outro lado, isto não basta para que atendamos à nossa missão a cumprir neste mundo, por mais que ainda não a compreendamos, mas que chegará ao nosso entendimento a partir das transformações que a vida nos reserva.

 

Conclusão

Em última análise, a jornada humana não consiste em mudar quem somos, mas em uma transformação contínua que aprimora nossa forma de interagir com a realidade a partir de nossa essência nata. A verdadeira libertação reside em equilibrar as necessidades de sobrevivência sem permitir que elas se tornem as senhoras de nossa existência, evitando assim o aprisionamento ao ego e às preocupações meramente mundanas. Ao nos mantermos alinhados à nossa missão e abertos às transformações que a vida reserva, encontramos o sentido e a importância necessários para cumprir o que nos foi dado realizar.

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. O que o autor define como a "ilusão da mudança"?

A ilusão da mudança é a crença de que, por agirmos de forma diferente ou aprendermos coisas novas, nos tornamos um outro ser. Na realidade, o "eu" verdadeiro permanece o mesmo; o que ocorre é a descoberta de habilidades latentes e uma nova forma de enxergar e lidar com a realidade.

2. Qual é a diferença fundamental entre "mudar" e "transformar-se"?

Mudar sugere a alteração do próprio eu conforme a situação. Já a transformação é o processo de amadurecimento e aprimoramento da forma como interagimos com o mundo a partir de nossa constituição nata, mantendo a essência única, a alma pulsante e a necessidade de sobrevivência que sempre existiram.

3. Como a sobrevivência influencia as relações interpessoais?

A sobrevivência é o fator que une as pessoas para a realização do que é necessário para viver. Ela permite combinar diferentes formas de interpretar a realidade, promovendo a parceria e o companheirismo grupal para compartilhar visões de mundo.

4. O que é o "delay" existencial mencionado no texto?

O "delay" é o descompasso entre o ponto existencial em que cada pessoa se encontra. Essa diferença de tempo no amadurecimento pode causar impaciência, desentendimentos e o julgamento do entendimento alheio quando tentamos forçar a transformação de outra pessoa.

5. De que dependem os nossos vínculos interpessoais?

Os vínculos dependem do amor, da missão individual de cada um e de um "consenso de importância" sobre as coisas, que envolve graus de compromisso, confiança e fé entre as partes.

6. O que pode causar o "autoabandono"?

O autoabandono pode surgir da autoilusão de acreditar que já atingimos a transformação total ou da desistência de si mesmo. Frequentemente, o aprisionamento ao ego e às posses é uma tentativa frustrada de compensar o vazio deixado por esse abandono ou pela rejeição alheia.

7. Como a "libertação" é conceituada no artigo?

A libertação refere-se à capacidade de se desapegar de posses materiais, aparências e opiniões externas. Ao fazer isso, o indivíduo sente mais leveza por se distanciar dos egos construídos apenas para a sobrevivência.

8. Quando o cuidado com a sobrevivência se torna um "aprisionamento"?

O cuidado com a sobrevivência torna-se um aprisionamento no momento em que deixa de ser uma ferramenta e passa a ser o senhor da existência. Isso ocorre quando a pessoa se desvia de sua missão em favor de preocupações puramente "mundanas".

9. Qual é o risco de não se esforçar pela própria sobrevivência?

Aquele que não se dedica à própria subsistência e permite ser carregado pelos outros corre o risco do abandono social. Ao não lutar por si mesmo, o indivíduo acaba se tornando um "peso" tanto para si quanto para o seu grupo de convivência.

10. Como podemos chegar à compreensão da nossa missão no mundo?

Embora possamos não compreendê-la de imediato, o entendimento da nossa missão chegará a partir das transformações que a vida nos reserva ao longo da jornada.


Veja mais

Assista a um vídeo anime explicativo deste texto, dentre outros, clicando AQUI

 

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