A proeza da lentidão orgânica A vida em ritmo lento Em um mundo em que a escala de produção se tornou prioridade, a automatização passou a ser o grande objetivo da tecnologia. A reprodução de operações repetitivas, com máxima precisão e margens ínfimas de erros, levou-nos à segurança no trabalho, à eficiência de processos complexos e a construções monumentais. Mas, depois de tudo, a beleza da conquista prolongada no tempo foi trocada por uma marca do nosso século: a quebra de recordes, onde tudo deve ser feito em prazos cada vez mais curtos — a corrida dos ratos. Lembro-me de que, quando jovem, na era analógica, torcia para que um vídeo legal aparecesse de novo na televisão, o que podia demorar uma semana inteira. Para quem tinha o videocassete, que podia gravar filmes e programas, era como ter o céu sem limites. Nessa época, tudo o que se via de interessante precisava ficar gravado na memória, inclusive detalhes que dependiam de um nível de atenção e capacidade de observ...