Passageiros do tempo Nossas perdas Alguns filósofos contemporâneos versam sobre o desapego e a capacidade de restaurar propósitos existenciais a partir do sofrimento espiritual provocado pela intensidade da sociedade acelerada atual. Talvez, sem sabermos, aceleramos a nós mesmos na ânsia de encontrarmos mais significados naquilo que estamos fazendo, seja nos períodos de trabalho, seja em nossos momentos mais íntimos de reflexão. Buscamos nossas melhores referências quando nos sentimos solitários em meio à multidão interconectada e, normalmente, somos sequestrados pelas distrações das sensações superficiais e das satisfações emocionais imediatas, quase sempre enganosas no sentido de que servem mais como anestésicos do que como cura real — se é que esta seja possível. Talvez o fato de nos sentirmos cansados da monotonia de nossas funções sociais, servis a um sistema montado para o produtivismo sem limite, nos force a nos viciarmos nessas distrações que em nada se refletem...