Confiança é uma questão ética
A herança das disputas
Em
meio às gerações que passaram por este planeta, podemos enxergar o quanto as
limitações humanas, o jogo da sobrevivência contaminou-se por disputas de poder,
o que criou um terreno fértil para a desconfiança nas intencionalidades humanas.
Esta realidade expressa um grande conflito metafísico entre nossa essência e
todo um sistema de controle que nos confina em um jogo de disputas terrenas,
que nos imputa um ardiloso “senso comum” sobre o fim da confiabilidade do ser
humano para com outro.
Ao mesmo tempo em que as pessoas aprendem a sobreviver e conquistar seu
espaço ao sol, são confrontadas por disputas humanas que não objetivam a sobrevivência básica, mas
sim a dominação onde prevalece a exploração do homem pelo homem, no sentido de
que, neste jogo, impera a grande mentira de que as disputas se baseiam na
garantia de um espaço para todos.
Neste
simulacro de mundo confiável, a maior crença é que para ser feliz, um ser
humano não pode simplesmente viver a própria vida, mas necessariamente, precisa
subjugar outras pessoas aos interesses próprios ou criar regras para manter controlado quem discorde do status quo estabelecido.
Pois é
neste mesmo jogo, marcado pela ganância, onde se perde qualquer senso ético, em
nome da sobrevivência, pois isto é o que fortalece o simulacro da realidade, que
parte de uma necessidade humana básica e a transforma em uma relação de
interesse, que asfixia qualquer pensamento mais elevado, em prol de um bem comum
e da dignidade humana.
O Ser sob a Etiqueta de Preço
Quando
foi que submetemos os pensamentos mais elevados da humanidade à serviço da
desumanização através da precificação dos indivíduos? Por que as regras
sociais e suas convenções de convívio não estão mais voltadas para estabelecer
o que é justo? Por que somos subjugados, cooptados e atraídos por ideologias ardilosas,
contrárias à nossa essência?
A
contradição flagrante é que cada um de nós vem a esta vida equipado com corpo
espírito e mente livres, porém, somos automaticamente instigados a seguir os
ditames de bolhas em disputa.
A
sobrevivência tornou-se um "resgate" que pagamos diariamente a um
sistema de controle, como se este fosse nosso único destino. Nesta reflexão,
seria interessante questionarmos a razão pela qual permitimos que uma minoria prepotente,
nos ocupe e roube nosso precioso tempo com suas regras falsas de civilidade.
Licitude e coragem andam juntas
Portanto,
nesta reflexão, o autoconhecimento sobre nossa essência nos possibilita acessar
um poder para escolher, conscientemente, aquilo que nos permite sobreviver e,
também, conquistar uma vida melhor! Por exemplo, podemos nos autoquestionar: será
que nos é lícito receber a benção da vida do Criador de todas as coisas, destruindo as bençãos alheias? O que construímos respeita o espaço alheio e
floresce através de nossos talentos natos? Expressamos nossos saberes e
compartilhamos para o bem comum?
Como podemos
discernir o limite da sobrevivência e da ganância? Onde adquirimos força interior
para superar a desconfiança disseminada pelo mundo? As regras que criamos funcionam
apenas para manter o confinamento existencial do próximo ou para impedir que a
ganância se estabeleça definitivamente entre nós?
Ser alguém
mentiroso, interesseiro, egoísta é uma escolha justificada para quê? Ditar regras
para outras pessoas torna alguém melhor do que é? Viemos a este mundo para promovê-lo
ou superá-lo? A última pergunta, dentre tantas outras que envolvem nossa
existência, seria: se a inconfiabilidade humana se deve às nossas limitações
naturais, por que aumentar mais ainda nossos erros?
Nosso
poder criativo é uma manifestação da própria Providência Divina e por meio dela,
podemos deixar de ser um recurso precificado para nos tornarmos coautores da
realidade, desafiando, com coragem, a lógica da instrumentalização da vida. Será
que nossas construções racionais e nossa ciência estão alinhadas à plena
existência humana ou ao encarceramento de nossas almas, pautado para nos manter
no jogo da exploração do homem pelo homem?
A Provisão Abençoada
A Provisão
Abençoada é a abundância universal acessível a quem vive em alinhamento com sua
essência e com o Criador de todas as coisas. Afinal de contas, o que é ser
gente de verdade nesta vida? Se a regra do mundo diz que o crime compensa,
basta lembrarmos de passagens de nossas vidas onde fomos roubados, violados, excluídos,
rebaixados e estigmatizados, neste simulacro de realidade existencial, para despertarmos
para uma existência mais plena, com verdadeiro sentido e
propósito!
A
confiança não é um contrato social assinado sob medo, mas um reconhecimento
sagrado que nasce da empatia. Ela é o reconhecimento de que somos todos ramos
da mesma "Provisão Abençoada". A verdadeira liberdade reside na Licitude:
a coragem de prosperar sem invadir ou destruir o espaço do outro.
Recusemos
o cardápio de futilidades e o ódio das bolhas em disputa. Precisamos acessar
nossa essência, romper com as trilhas de ansiedade e assumir a coragem de sermos
livres. É hora de recuperarmos nosso tempo, o poder de escolha e nossa
dignidade. O Criador já nos equipou para a liberdade; é este saber que nos
permite somar ao coletivo, mas que depende de uma escolha e de um propósito verdadeiro para
confiarmos na vida.
A Empatia como Reconhecimento do Outro
O que
aconteceria se nos permitíssemos colocar em prática nossas habilidades natas e
adquiridas para sobreviver e, além disso, também viver com dignidade? Para isso
temos o senso do que é justo, algo que nasce com nossa vinda ao mundo (nossa
essência) e não com os conhecimentos construídos pelo ser humano.
A
empatia não é um afeto fugaz, mas o reconhecimento do "Propósito
Maior" no outro. É ver o próximo como um portador da mesma semente divina.
É aquilo que podemos considerar como parte de nossos valores e princípios, que
fazem parte de nossa essência. A sobrevivência é uma ferramenta, não nosso
propósito.
Talvez,
precisemos de um autoconhecimento próprio, uma bússola para nos orientar ao nosso
potencial e para saber escolher o melhor caminho a percorrer nesta vida. Existe
um cardápio posto de opções e mapas humanos para vivermos a vida que nos foi
dada. Entretanto, sem um Propósito Maior, temos dificuldade para evitar as armadilhas
que levam à futilidade, à desonestidade, à insatisfação, à ansiedade e ao ódio.
Por mais
que se propague por aí que a responsabilidade de nossas atitudes e escolhas
precisam estar baseadas em regras, precisamos pensar crítica e isentamente, sobre
a real possibilidade de seguirmos um propósito verdadeiro ou não. Fazer escolhas
livres tanto para sobreviver como para viver não é algo necessariamente incompatível com a
ética e a nossa essência.
Conclusão
Em
suma, a recuperação da confiança exige o rompimento com o simulacro de um mundo
pautado pela dominação e pela desumanização. Ela não reside em contratos
sociais impostos pelo medo, mas no reconhecimento sagrado da semente divina no
outro através da verdadeira empatia.
Ao
escolhermos a Licitude — a coragem de prosperar e manifestar nossos talentos
natos sem invadir ou destruir o espaço alheio — deixamos de ser meros recursos
precificados para nos tornarmos coautores de uma realidade fundamentada na
dignidade e no propósito verdadeiro. O Criador já nos equipou com a mente e o
espírito livres; cabe a cada um de nós assumir a coragem de acessar sua própria
essência e viver em alinhamento com a Provisão Abençoada, transformando a
sobrevivência em uma ferramenta para a plenitude, e não no cárcere de nossas
almas.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. Por
que a confiança entre os seres humanos tornou-se tão escassa na atualidade?
Segundo
a fonte, a desconfiança nasce de um terreno fértil de disputas de poder
que contaminaram o jogo da sobrevivência ao longo das gerações. Vivemos em um
"simulacro de mundo" onde impera a mentira de que as disputas são
necessárias para garantir espaço, quando na verdade elas visam a dominação e
a exploração do homem pelo homem.
2.
Qual a diferença entre a busca pela sobrevivência e a ganância?
A
sobrevivência básica é uma ferramenta de dignidade, mas a ganância a
transforma em uma relação de puro interesse que asfixia pensamentos elevados.
Enquanto a sobrevivência é uma necessidade natural, a ganância manifesta-se
quando o indivíduo busca subjugar o outro aos seus interesses próprios
ou criar regras para manter o status quo.
3. O
que o autor quer dizer com o "Ser sob a Etiqueta de Preço"?
Este
conceito refere-se à desumanização e precificação dos indivíduos, onde
pensamentos elevados e a própria vida humana são submetidos a critérios de
utilidade e valor de mercado. Nesse cenário, as pessoas deixam de ser vistas em
sua essência para serem tratadas como recursos instrumentais em um jogo
de exploração.
4. Por
que a sobrevivência é descrita como um "resgate" pago diariamente?
O
texto argumenta que a sobrevivência tornou-se um tributo que pagamos a um sistema
de controle que nos ocupa e rouba nosso tempo precioso com regras de falsa
civilidade. Embora nasçamos com corpo, mente e espírito livres, somos
instigados a seguir os ditames de "bolhas em disputa", como se
esse fosse o nosso único destino possível.
5.
Como o conceito de "Licitude" se aplica à busca pelo sucesso?
A
verdadeira liberdade reside na Licitude, definida como a coragem de
prosperar sem invadir ou destruir o espaço alheio. Ser lícito significa
questionar se é justo receber as bênçãos da vida destruindo as bênçãos de
outrem, buscando florescer através de talentos natos e saberes
compartilhados para o bem comum.
6.
Qual é o papel da empatia na construção da confiança?
A
confiança não deve ser vista como um contrato social assinado sob medo, mas
como um reconhecimento sagrado que nasce da empatia. A empatia, por sua
vez, não é apenas um afeto passageiro; é o reconhecimento do "Propósito
Maior" no próximo, vendo-o como portador da mesma semente divina.
7. O
que é a "Provisão Abençoada" e como acessá-la?
A
Provisão Abençoada é a abundância universal disponível para aqueles que
vivem em alinhamento com sua essência e com o Criador. Ela representa a
compreensão de que somos todos ramos da mesma fonte e pode ser acessada quando
despertamos para uma existência com propósito verdadeiro, rejeitando a
regra de que "o crime compensa".
8.
Como podemos deixar de ser um "recurso precificado" para nos
tornarmos "coautores da realidade"?
Isso
ocorre através do exercício do nosso poder criativo, que é uma
manifestação da Providência Divina. Ao desafiarmos a lógica da
instrumentalização da vida e usarmos nossas construções racionais e ciência
para a plena existência humana (em vez do encarceramento da alma),
assumimos a soberania sobre nossa própria realidade.
9.
Qual a importância do autoconhecimento na filosofia do texto?
O
autoconhecimento funciona como uma bússola que nos orienta em direção ao
nosso potencial e nos ajuda a escolher o melhor caminho em meio a um
"cardápio" de futilidades e ódio. Ele permite acessar o poder de
escolha consciente para romper com as trilhas de ansiedade e recuperar a
dignidade.
10. É
possível conciliar o sucesso material com a ética e a essência humana?
Sim. O
autor afirma que fazer escolhas livres tanto para sobreviver quanto para viver não
é incompatível com a ética e a essência. O segredo reside em agir com base
em um propósito verdadeiro, utilizando as habilidades natas para viver
com dignidade e senso de justiça, algo que é intrínseco ao ser humano.
Veja mais
Assista a um vídeo anime explicativo deste texto, dentre outros, clicando AQUI

Comentários