Ideologias fúteis
Ser politicamente correto
Do
ponto de vista da concepção moderna, a militância por uma causa gera uma simplificação
do pensamento humano e recrudesce o reducionismo da própria perspectiva para uma
vida plena. Quem ainda sonha em mudar o mundo, sem trazer soluções concretas
são apenas sonhadores, que atrelados à uma visão monotemática da vida, acreditam
que para viver bem, é preciso ser politicamente correto.
Não à
toa, a erosão intelectual promovida pela massificação das causas do mundo
moderno, tem produzido pessoas totalmente avessas a valores éticos e ao
aprofundamento da capacidade de pensar. Isto porque ser moderno significa estar
na crista dos modismos, de pertencer ao mundo dos visionários do planeta, que prometem
a riqueza e o poder terreno para todos (a grande farsa). Entretanto, essa busca
por aceitação externa e pertencimento é apenas uma fuga da "própria
consciência".
O
primeiro princípio desses movimentos, dentro das bolhas sociais, reflete tanto
a falta de solidez e aprofundamento na formação geral e humana quanto o
confinamento mental subserviente das pessoas, atrelado aos nichos de consumo
com seus slogans, vestuários, culturas e estilos de vida.
Talvez
haja até um pouco de infantilidade histórica nessas bolhas, pois muitos
movimentos militantes tentam reproduzir movimentos sociais do século passado, dando
uma camuflagem moderna, de novo, de futuro.
Essas
militâncias comprovam que está havendo uma decadência criativa do ser humano atual, que não
consegue realmente trazer uma novidade efetiva (solução), ou sair do
politicamente correto, com atitude e brio verdadeiro para dizer não às falsas
crenças, pressões econômicas e manipulações centradas no modus operandi de
um sistema disfarçado de oportunidade de crescimento e desenvolvimento humano.
Subserviência e falta de esperança andam juntas
Não se
pode condenar ninguém que esteja imerso em sua sobrevivência, lutando para
pagar suas contas e seus boletos em um sistema monetário que visa o lucro pela
especulação de juros e não de produtos concretos e bens duráveis. Estes
elementos não estão sob o controle da sociedade como um todo, mas todos
dependem deste sistema para viver e se sustentar no dia a dia. Por isso, a
subserviência não seria apenas uma falha de caráter, mas uma armadilha de
sobrevivência que sufoca o "potencial humano latente".
O problema
da dependência econômica atrelada ideologicamente ao comportamento humano é um
dos fatores mais destruidores da esperança humana, neste mundo moderno. É como
se todos que nascem nestes tempos atuais, já tenham que vir encoleirados e marcados
para contribuírem para o sistema e, infelizmente, para mais nada. A falta de
esperança leva ao comodismo, à desmotivação e, tragicamente, ao culto à
mediocridade e à futilidade.
Ideologias,
religiões, políticas, mídias deixam de ter sua função efetiva de nichos criadores
para serem reprodutores do modus operandi do sistema, uma vez que tudo
está acorrentado a uma premissa aceita como a única solução para girar o mundo (que na verdade,
nunca chegou a ser absoluta).
Assim,
o efeito corrosivo das crenças é a própria formação humana baseada no
conhecimento sem a vivência da própria vida, cujas consequências é a própria
automatização do pensamento, da incapacidade de reflexão e da preguiça mental
para buscar o potencial humano latente em cada um de nós.
Pessoas
com atitude, neste mundo moderno, são rotuladas e igualadas aos assassinos do passado violento,
e não como seres com coragem suficiente para agir conscientemente com sua
essência verdadeira.
Militância é implosiva e não explosiva
A
perfeição humana do modelo politicamente correto que a sociedade impõe não afeta apenas comportamentos,
como também incentiva a construção de egos caricatos que só adoece mentalmente as pessoas.
Essas caricaturas são geridas pela opinião externa, ao invés da própria consciência.
Mesmo
que este ego construído se alinhe com o que é mais repugnante na humanidade
como a ganância, a vaidade, a desonestidade e a covardia, infelizmente, o que se valida são as vantagens pessoais obtidas com essas condutas, que intoxicam qualquer relação humana decente. Fazer algo que contraria a própria essência,
em troca de ganhos imediatos ou vantagens momentâneas é a chaga das bolhas
corporativas, no mundo todo.
Neste
contexto, a formação humana está contaminada pela subserviência em relação aos modismos,
às regras das militâncias e a implosão da verdadeira vivência da jornada humana
nesta terra. Os efeitos são catastróficos: Pessoas que defendem causas sem
fazer parte de um contexto real de luta, pessoas que jogam o jogo da
competência nascida em berço de ouro, e pessoas sem rumo, sem autoestima e
autoconfiança (fragilizadas e desiludidas).
Neste
mundo a competência humana é colocada como virtude, mas seu significado é
pervertido quando relacionado ao lucro e ao acúmulo de privilégios. Serve mais
para estigmatizar quem não é subserviente ao que é politicamente correto, em
detrimento das pessoas que realmente se esforçam para dar o seu melhor, que são
capazes de realizar, projetar, colaborar e construir (inversão de valores). A
verdadeira atitude se relaciona ao resgate da competência, como uma forma de
colaboração e construção coletiva.
A introdução
de ideologias e da militância nas bolhas sociais tem efeito implosivo e não
explosivo e aí reside o efeito nefasto da propagação dos separatismos, das sabotagens
internas, dos discursos retóricos mal-intencionados, os quais destroem por
dentro valores éticos e laços de verdadeira confiança. Estas são as causas que
levam à falta de esperança, falta de objetivos coletivos elevados e ao
individualismo sem propósito. Por outro lado, uma verdadeira explosão de
criatividade, nascida de atitudes conscientes e autênticas expandem os
horizontes ao invés de apequenar nossos ambientes de convivência.
Autonomia do pensamento
Diante
dessa fragmentação de valores, a resposta não reside em novos movimentos, mas
no resgate da soberania individual através da autonomia do pensamento. O
pensamento é uma atitude proativa e não reativa. Isto é o que podemos contrapor
como atitude e competência. Esta associação retira o peso do ser politicamente
correto por conveniência para ter ganhos ilícitos, privilégios e status, por
qualidade de vida e aquisição de competência verdadeira para servir melhor, para criar
soluções efetivas e saciar nossa essência pelo encontro com nossos propósitos
existenciais.
Existe
sim, um ônus para o pensamento autônomo que é a humildade em reconhecer falhas,
buscar mais saberes e, especialmente, ter paciência para obter resultados. Mas,
até isto também representa uma virada de chave pois exercita a resiliência e a esperança nas
leis naturais que gerem a lei do retorno, para a positividade, para o bem-estar
que é o que todas as pessoas mais precisam neste mundo (se sentirem fortes de fato).
O
mundo não tem opções diferentes para ser mudado, pois isto não favorece o
sistema. O que muda são as opções que surgem de mentes livres, capazes de
compreender os mecanismos para escolherem não fazer o jogo da manipulação da
ação e reação (armadilhas) para a sujeição e punição daqueles incautos que não
enxergam as más intenções dos movimentos militantes.
Sendo
assim, para quem quer ser apenas politicamente correto, as opções já são dadas, mas
para quem quer ser competente de verdade, precisa criar suas opções. Uma delas
é mais rápida que a outra (atalho), mas não sacia sua essência e sua existência,
enquanto a outra é mais demorada, exige mais esforço. Fazer a escolha entre
estes dois caminhos depende da estrutura mental e fortaleza interior, onde cada
um é cada um.
Conclusão
Em
última análise, a verdadeira atitude não reside em seguir fórmulas prontas ou
militâncias que simplificam o pensamento e implodem a individualidade. Romper
com a subserviência imposta pelo sistema exige a coragem de trilhar o caminho
mais longo, pautado na autonomia do pensamento e na busca pelo propósito
existencial.
Somente
através dessa fortaleza interior é possível resgatar a competência como uma
ferramenta de colaboração e construção coletiva, saciando a essência humana e
transformando a esperança em uma realidade que expande horizontes em vez de
apequenar a convivência. Escolher a própria essência em detrimento do atalho do
"politicamente correto" é, enfim, o único ato capaz de gerar uma novidade
efetiva no mundo.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1.
Qual é a principal crítica do autor em relação à militância moderna?
A
crítica reside no fato de que a militância gera uma simplificação do
pensamento humano e um reducionismo da vida, onde a busca pelo
"politicamente correto" torna-se uma fuga da própria consciência e da
busca por soluções concretas.
2. O
que o autor define como "erosão intelectual" no contexto atual?
É o
processo promovido pela massificação das causas, que torna as pessoas
avessas a valores éticos e ao aprofundamento da capacidade de pensar,
priorizando o pertencimento a modismos em vez da integridade intelectual.
3.
Como o sistema econômico influencia a "falta de atitude" mencionada?
O
sistema monetário, focado na especulação e no lucro, cria uma armadilha de
sobrevivência. A necessidade de "pagar boletos" gera uma
subserviência que acaba sufocando o potencial humano latente, tornando a falta
de atitude uma consequência da dependência econômica.
4. O
que significa dizer que a militância é "implosiva" e não
"explosiva"?
Significa
que a militância baseada em ideologias fúteis destrói por dentro os valores
éticos e os laços de confiança (implosiva). Em contraste, uma atitude
"explosiva" seria aquela nascida de atitudes conscientes e
autênticas que expandem os horizontes e a criatividade.
5.
Qual o impacto da busca pela "perfeição politicamente correta" na
mente humana?
Essa
busca impõe a construção de "egos caricatos", geridos pela
opinião externa e não pela consciência, o que acaba adoecendo mentalmente as
pessoas e incentivando comportamentos hipócritas em troca de vantagens
momentâneas.
6.
Como o conceito de "competência" é pervertido no mundo moderno?
A
competência é pervertida quando serve apenas ao acúmulo de privilégios e ao
lucro, sendo usada para estigmatizar quem não é subserviente ao sistema, em
vez de ser uma ferramenta de realização e construção.
7.
Qual é a proposição do autor para resgatar a verdadeira "atitude"?
A
verdadeira atitude está no resgate da competência como forma de colaboração
e construção coletiva, permitindo que o indivíduo aja conscientemente de acordo
com sua essência verdadeira.
8. O
que caracteriza a "autonomia do pensamento" segundo a fonte?
O
pensamento autônomo é uma atitude proativa, e não reativa. Ele retira o
peso da conveniência e do status, focando na criação de soluções efetivas e no
encontro com propósitos existenciais.
9.
Existe um custo para exercer esse pensamento autônomo?
Sim, o
autor aponta que o ônus inclui a humildade para reconhecer falhas, a
busca constante por saber e a paciência para obter resultados através
das leis naturais.
10.
Quais são os dois caminhos apresentados para quem deseja mudar sua realidade?
O
primeiro é o atalho do "politicamente correto", que é rápido, mas não
sacia a essência humana. O segundo é o caminho da competência real, que
exige mais esforço, tempo e uma estrutura mental baseada na fortaleza
interior para criar suas próprias opções de vida.
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