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Além do Sistema: O Despertar pela Educação Humana

Aula de abertura

 

Uma aula de abertura

 

A teoria da corrente

Imagine uma grande corrente e abaixo dela três quadros: da esquerda para a direita imagine o primeiro quadro (da mentira) representando um cavalo com chifres; o segundo quadro (da verdade) com um boi com chifre e, por último, um quadro vazio (da neutralidade), representando a omissão ou a falta de posicionamento.

A teoria começa a se desenhar quando a grande corrente lá em cima é definida como a amarra de tudo, sem a qual nenhum dos quadros pode existir ou se sustentar (paradigmas sociais, dogmas ou tradições). Agora, imagine a corrente e os três quadros descritos dentro de um grande quadro e teremos um conjunto que chamaremos de sistema.

Dentro deste grande quadro, uma boa parte dos habitantes do planeta vão acreditar que o sistema não mudará nunca! Porém, há uma escada ao lado do grande quadro chamada “escada do pensamento” que dá acesso a uma visão acima do sistema. Enquanto os quadros são algo que se observa ou em que se acredita, a escada é algo que se escala!

Esta escada é um caminho que nos permite analisar todo o sistema de vida de cima, inclusive, perceber que a grande corrente acima dos três quadros pode ser quebrada, deixando de sustentar todo o sistema. Assim, a partir desta metáfora do sistema, vamos refletir um pouco sobre nossos propósitos existenciais.

 

A escada ascendente do pensamento

Podemos enxergar a vida e tudo o que fazemos dentro deste sistema, baseados na escolha do quadro em que vamos acreditar: pode-se procurar chifre em cabeça de cavalo, pode-se compreender que um boi tem chifres e o cavalo não tem, ou pode-se optar por não saber nada sobre isto e assim criar nosso conjunto de crenças e valores.

Porém, se ao lado do sistema existe uma escada do pensamento, qual seria o seu significado? Isto traz algumas consequências para o pensamento humano, no sentido de que seu limite não precisa depender apenas do que nos é colocado como pronto e controlado, em um único grande painel de existência. Significa que podemos transcender este painel!

Entretanto, o fato de ser uma escada, significa que é preciso vencer a força da gravidade para subir cada degrau e isso representa a necessidade de esforço, o qual, não é apenas físico, mas um esforço contra o "conforto" das crenças prontas do sistema. Por isto, existe um caminho do saber, chamado “Educação Humana”, que pode elevar os pensamentos acima dos conjuntos de crenças e valores dados e aceitos, por não enxergarmos outra opção melhor.

A educação humana nos traz a consciência sobre a existência daquela escada e, por isto, todo aquele que se beneficia com as crenças e valores do sistema, não deseja que as outras pessoas saibam disto. Por isto, a educação humana, é sistematicamente controlada para evitar o acesso aos degraus mais elevados, pois isso colocaria em risco o sistema acorrentado de crenças e valores conveniente para poucos. O sistema oferece somente uma "educação funcional" (para tarefas) em oposição àquela "Educação Humana" (para a transcendência).

 

A necessidade do foco existencial

Não conseguimos fazer três contas matemáticas simples em um quadro ao mesmo tempo. Podemos fazer uma por vez, optando em dar foco naquilo que realmente importa. Assim como o cérebro tem um limite operacional para cálculos simultâneos, a nossa consciência exige foco para não se perder no "ruído" das tarefas irrelevantes do sistema. O foco é sobre a direção da ascensão pela escada.

Sob uma perspectiva filosófica, viver dentro do sistema é como passar a vida ocupado com os quadros da mentira, da verdade e da neutralidade. Isso quer dizer que estamos sempre ocupados com muitas tarefas do sistema, que nos dita o que é certo ou errado, contudo, “estar ocupado” não significa que estamos realizando algo que nos importe, de fato.

Neste contexto, a Educação Humana seria um caminho de esforço e foco para ascender ao pensamento mais elevado, para nos livrar da ignorância e das limitações de uma realidade posta como única e concreta, contrária a uma existência mais plena para todos nós.


Para que aprendemos

Com base em discussões sobre humanidades, espalhadas aos quatro ventos, talvez encontremos formas de quebrar paradigmas. Por exemplo: uma das bases do sistema gera uma crença de que se alguém nasce com algum talento especial, será promovido na vida e terá merecimento por todos os privilégios e quem nasce sem nenhum talento, estará destinado a ser um ninguém na vida.

Por outro lado, a educação humana esclarece que ninguém nasce menor que ninguém, a não ser no pensamento do sistema, e a regra mais simples para viver a vida plena é seguir o que de mais elevado possa ser alcançado pelo pensamento humano, por meio de uma disciplina natural que nos leve ao respeito, à dignidade e ao bem coletivo.

Melhorar como ser humano é uma obrigação para viver e conviver bem, garantindo a cada geração a oportunidade de realizar a própria missão em paz, com aquilo que traz para este mundo, que nos é concedido pela inexplicável Providência Divina. Viver sem pesar na vida do próximo e, quando possível, transmitir os saberes acumulados ao longo da própria jornada da vida, são atitudes que dispensam qualquer lista de regras humanas. Para isto somos livres para escolher ser gente de verdade!

 

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. O que representa a "grande corrente" dentro da metáfora do sistema?

A grande corrente representa a amarra fundamental de tudo, sendo definida como os paradigmas sociais, dogmas ou tradições que sustentam os quadros de crenças.

2. Quais são os três quadros descritos e qual o significado específico do quadro da "neutralidade"?

Os quadros são o da mentira (cavalo com chifres), o da verdade (cavalo sem chifre e boi com chifre) e o da neutralidade, que representa a omissão ou a falta de posicionamento do indivíduo.

3. Qual é a função da "escada do pensamento" em relação ao sistema?

A escada é o caminho que permite ao indivíduo analisar todo o sistema de vida e ter uma visão acima dele, possibilitando inclusive a percepção de que a corrente que sustenta o sistema pode ser quebrada.

4. Por que subir a "escada do pensamento" é comparado a vencer a força da gravidade?

Porque exige um esforço que não é apenas físico, mas uma resistência contra o "conforto" das crenças prontas e limitadas que o sistema oferece.

5. Qual a principal diferença entre a "educação funcional" e a "Educação Humana"?

A educação funcional é voltada estritamente para a execução de tarefas dentro do sistema, enquanto a Educação Humana é voltada para a transcendência e para o despertar da consciência sobre a existência da escada do pensamento.

6. Por que, segundo o texto, o acesso à Educação Humana é sistematicamente controlado?

O controle ocorre porque aqueles que se beneficiam dos valores do sistema não desejam que as pessoas tenham consciência da escada; o acesso aos degraus mais elevados do pensamento colocaria o sistema acorrentado em risco.

7. Como o texto relaciona a capacidade do cérebro humano com a necessidade de foco existencial?

O texto utiliza a analogia de que não conseguimos fazer várias contas matemáticas ao mesmo tempo para mostrar que nossa consciência tem um limite operacional; por isso, precisamos de foco para não nos perdermos no "ruído" de tarefas irrelevantes do sistema.

8. Qual é a crítica feita pelo texto à ideia de estar sempre "ocupado" dentro do sistema?

A crítica é que viver ocupado com as tarefas ditadas pelo sistema (o que é certo ou errado nos quadros) não significa que o indivíduo esteja realizando algo que realmente lhe importe ou que contribua para sua ascensão pela escada.

9. O que o sistema tenta impor através da crença no "talento especial"?

O sistema cria a crença de que apenas quem nasce com um "talento especial" merece privilégios e promoção, enquanto os outros estariam destinados a ser "ninguém", usando isso como uma ferramenta de exclusão e manutenção de status.

10. Qual é a regra básica e a obrigação final do ser humano segundo a Educação Humana?

A obrigação é melhorar como ser humano para viver e conviver bem, agindo com respeito, dignidade e em prol do bem coletivo, sendo livre para escolher "ser gente de verdade" e transmitir saberes ao longo da jornada.


Veja mais

Assista a um vídeo anime explicativo deste texto, dentre outros, clicando AQUI

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