Como sentimos o mundo
Nossas motivações
Embora nosso mundo exija de todos nós o "saber
lidar" com situações difíceis, querendo ou não, pois isto é o que podemos chamar
de destino, há um fluxo de aprendizagens que não cessa enquanto estivermos vivos.
Ninguém está livre de situações e contextos que demandam nossa atenção e,
normalmente, nossas crises e conflitos pioram quando deixamos nossos sentimentos
sobrepujarem nossos pensamentos.
Mas, por sermos humanos, sentimos de uma
forma individual e única as dores da vida. Algumas situações e interações são
comuns a todos nós como, por exemplo, o sentimento provocado pela rejeição, a
intolerância, a raiva e o sentimento de impotência, diante daquele mesmo
destino, que nos obriga a interagir coletivamente pois, o significado do
desamparo natural de nossas existências tem este propósito unificador, cujo
fluxo se orienta pela nossa consciência sobre a finitude humana incontestável.
Para sobrevivermos buscamos aceitação,
inclusão e buscamos ser úteis e servir às pessoas, o que não teria nada demais,
se isto não fosse a base da exploração do homem pelo homem e onde enfrentamos nossos
maiores defeitos como nossas incapacidades momentâneas, nosso desconhecimento e
falta de saberes e, especialmente, de nossa falta de vivência, sendo esta
última, o caminho da sabedoria que sempre estará acima da informação e dos conhecimentos
formais.
Além disso, também buscamos valores e
princípios duradouros que nos ajudam a caminhar e fazer nossas jornadas da
melhor forma possível. Isto é intrinsecamente humano, ou seja, a necessidade de
construirmos um grande Tecido da Vida, mesmo que sua natureza ainda não esteja desvendada
aos nossos olhos terrenos.
Desta forma, no tempo e espaço a nós concedido
pelas improváveis e desconhecidas combinações e interações interpessoais,
percebemos que em nossa curta passagem por este mundo, dependemos de um fio
condutor que mescle nossa percepção com nossa capacidade de análise de nossas
próprias reações.
Bases filosóficas
Com o tempo, criamos formas de se analisar,
interpretar e julgar situações sob diferentes linhas filosóficas que, mesmo que
não percebamos, adotamos como padrões racionais para entender o mundo e a nossa
vida. São bases a nós transmitidas de geração em geração, naquele fluxo de vida
que produz aquilo que podemos chamar de conhecimento humano.
Com os processos educativos de formação
humana, formais e informais, institucionalizamos valores e princípios
relativamente duradouros, mas que sempre estão sujeitos a diferentes
perspectivas e metodologias de entendimento, que fazem parte de nossa lista
limitada de escolhas, onde gostamos de crer que temos uma certa autonomia ou
livre arbítrio para tomar decisões e construirmos nosso próprio caminho.
Por isto, convivemos com a imprevisibilidade
e com o incerto continuamente, pois ninguém tem uma bola de cristal para adivinhar
os próprios rumos da humanidade. A filosofia não é apenas teoria, mas um padrão
racional que herdamos para interpretar nossas vivências. As teorias que nos
chegam fazem parte desta caminhada humana sobre a terra, conectando nossas reflexões
a um fio condutor de tudo, que nos permite transcender no tempo que entrelaça
passado, presente e futuro.
Não se trata de definirmos certo e errado,
justo ou injusto, mas de pensarmos analiticamente sobre os rumos que já tomamos
e as tendências de encontrarmos uma luz, um entendimento maior sobre como
funcionamos como carne e osso e como lidamos com nossas angústias, medos,
incertezas de forma mais assertiva, mesmo que isto se aproxime da utopia.
Somos oito bilhões de pessoas neste mundo,
sofrendo as consequências daquilo que institucionalizamos como padrão de
comportamento, sob a luz ou escuridão de um paradigma predominante, de nossa
época.
A ilusão das emoções
Nesta vida tudo passa! Flutuamos nas ondas
emocionais do dia a dia como alegrias, tristezas, momentos de revolta e até de
raiva. Mas não podemos viver continuamente com nenhuma dessas emoções, pois
isto esgotaria nossa energia vital. Sentir emoções e viver para elas é algo insano
que pode dar origem a ciclos intermináveis de ansiedade por tudo o que possa nos
trazer saciedade.
Ao contrário do que gostamos de admitir, a
grande ilusão dos tempos modernos é a promessa de que podemos viver fortes
emoções o tempo todo. Mas, fomos feitos para nos emocionar ocasionalmente com
cada evento de nossas vidas, o que quer dizer que estamos destinados a vivenciar
um pouco de cada tipo de emoção, em doses variáveis. Porém, acabamos exagerando
na busca de emoções ou o mundo nos pressiona a este objetivo como se a base dos
valores e princípios fosse apenas nosso lado emocional.
É isto o que o marketing explora, o que sociedade
do consumo estabelece, mas sabemos que não existe nada que dure para sempre. Por
isto, não conseguimos viver tristes a vida inteira e nem felizes a vida inteira pois, para cada momento emocional intenso, precisamos de descanso e afastamento de grandes emoções.
A ilusão das emoções virou mercadoria há
muito tempo, mas precisamos entender que não há como estocar emoções, seja de qual
tipo for. Quando corremos atrás das “borboletas azuis”, em busca de saciedade
emocional, esquecemos que o que realmente precisamos é encontrar algo real e possível que não agrida nossa
natureza e integridade física e espiritual.
Esgotamento e equilíbrio emocional
Neste contexto, precisamos refletir sobre o
papel das emoções em nossas vidas! Talvez possamos elencar algumas questões que
nos deixam esgotados, cansados, estressados em nosso dia a dia. Por exemplo: Não
podemos sustentar altos níveis emocionais por muito tempo, portanto precisamos
filtrar tudo o que nos incita a ter raiva e até ódio continuamente, assim como
tristezas demasiadas ou alegrias demasiadas.
A vida contém uma sabedoria para nos colocar
em equilíbrio pela lei da compensação, quando nos expõe a fatos como a
coexistência do doce com o amargo, da alegria com a tristeza, da saúde com a doença, do sucesso com o fracasso. Ou seja, é como se a vida, quando fluida e suficientemente
livre, nos apresentasse um cardápio de emoções diversificadas e equilibradas.
Sabemos que o mundo das ilusões nos explora
sobre a possibilidade de extrapolarmos nossos limites em busca de altas
emoções, muitas vezes nos enganando ao chamar esta busca como propósito de vida.
Talvez, a imprevisibilidade, o acaso e o desapego material sejam as bases das
emoções mais puras que, em seu conjunto, nos permitem desenvolver a paciência,
a resiliência e a saúde mental.
Por outro lado, viver sem emoções, sejam boas
ou ruins, significa insensibilidade ou autoengano, especialmente, quando
adotamos nossas máscaras sociais para a sobrevivência. O problema é quando isto
se torna um estilo de vida, um modo único de lidar com as pessoas, algo próprio
dos egoístas e gananciosos. Se nos consideramos seres humanos, não podemos
negar nossas emoções como se fôssemos máquinas.
A reflexão, a solidão e a reconexão com nosso
íntimo, em silêncio é o contraponto àquele modo apressado, inconsequente e
desumano do mundo competitivo, que nos coloca em confronto diário com nossas
angústias, discordâncias e inimizades. Talvez, desta forma, encontremos soluções
práticas para nosso próprio esgotamento.
Emoção singela e profunda
Existe uma correlação entre princípios e
valores e nossas emoções. Se nossos pensamentos se voltam para a agressividade
voltamos para fontes de emoções violentas, que se combinam com aquele lado negativo
da vida. Prazeres na dor, no sofrimento em forma concentrada, nos leva ao sangue e à morte
como o limite disso tudo.
Por outro lado, quando os valores e
princípios se baseiam no amor, damos espaço para sentimentos profundos, que só
são adquiridos com o tempo e a vivência. O sentido do perdão, da aceitação, do
desapego e da retidão envolvem calmaria em meio ao caos, paciência diante do
incontrolável e humildade para reconhecermos nossos limites humanos.
A ideia de imperfeição natural e
transitoriedade da vida compõe uma base filosófica que nos guia para um outro
tipo de busca que se relaciona a um equilíbrio possível entre os altos e baixos
da vida e de nossas emoções. Não sabermos lidar com tudo isto é o sinal de que precisamos
viver para aprender, cada vez mais.
Assim, são as emoções que nos chegam e não aquelas que
produzimos ou somos induzidos a ter de forma artificial, que constituem os mecanismos de uma vida que flui
conforme os ventos do destino, alimentando nossas reflexões e análises sobre nossas
próprias reações, diante do que é possível se fazer. Talvez não sejamos mais felizes
só por esta atitude, mas pelo amor, encontramos maiores chances de viver as
emoções como podem e precisam ser vividas, no ponto certo.
Conclusão
Em última análise, a jornada pelas nossas
emoções não é um caminho de controle absoluto, mas de aprendizado contínuo
sobre nossa própria transitoriedade. Ao reconhecermos a imperfeição natural e
buscarmos o equilíbrio entre a razão e o sentir, deixamos de ser reféns do
esgotamento moderno para nos tornarmos observadores conscientes de nossa
existência. O amor e o poder de reflexão surgem, então, como as bússolas finais
que nos permitem navegar pelos ventos do destino, encontrando, no ponto certo
entre o caos e a calmaria, a dignidade de uma vida vivida em sua plenitude
humana.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. O que acontece quando os sentimentos
dominam nossos pensamentos em situações difíceis?
De acordo com a fonte, nossas crises e
conflitos tendem a piorar quando permitimos que os sentimentos sobrepujem o
pensamento racional. Embora o "saber lidar" com o destino seja um
aprendizado constante, o equilíbrio entre razão e emoção é essencial para
enfrentar os contextos que demandam nossa atenção.
2. Qual é a importância do "desamparo
natural" mencionado no texto?
O desamparo natural de nossas existências
possui um propósito unificador. Ele nos obriga a interagir
coletivamente, orientando nossa consciência sobre a nossa finitude
incontestável e a necessidade de colaboração humana.
3. Por que a vivência é considerada superior
ao conhecimento formal?
As fontes afirmam que a vivência é o
verdadeiro caminho da sabedoria. Ela se coloca acima da informação e dos
conhecimentos formais porque é através da experiência prática que construímos o
"Tecido da Vida" e aprendemos a servir e ser úteis às pessoas.
4. Como a filosofia auxilia na interpretação
da vida cotidiana?
A filosofia não é vista apenas como teoria,
mas como um padrão racional herdado de geração em geração para
interpretar nossas vivências. Ela oferece as bases para analisar e julgar
situações, conectando nossas reflexões a um fio condutor que entrelaça o
passado, o presente e o futuro.
5. Qual é o risco de se buscar emoções
intensas continuamente?
Viver continuamente sob fortes emoções é
considerado insano, pois isso esgotaria nossa energia vital. Essa busca
incessante pode gerar ciclos intermináveis de ansiedade, uma vez que o ser
humano foi feito para se emocionar apenas ocasionalmente, em doses variáveis.
6. Como o marketing e a sociedade de consumo
exploram as emoções humanas?
O marketing explora a ilusão de que é
possível viver fortes emoções o tempo todo, transformando essa busca em
mercadoria. Ao corrermos atrás de "borboletas azuis" (saciedade
emocional), esquecemos de buscar o que é real e o que não agride nossa
integridade física e espiritual.
7. O que é a "Lei da Compensação"
mencionada nas fontes?
A vida utiliza a lei da compensação para nos
manter em equilíbrio, expondo-nos à coexistência de opostos: o doce e o
amargo, a alegria e a tristeza, o sucesso e o fracasso. Esse
"cardápio" diversificado evita o esgotamento por níveis emocionais
extremos.
8. Por que a solidão e o silêncio são
importantes no mundo atual?
A reflexão em silêncio e a solidão funcionam
como um contraponto ao mundo competitivo e apressado. Essas práticas
permitem a reconexão íntima e ajudam a encontrar soluções práticas para o
esgotamento emocional e os confrontos diários.
9. De que forma os valores baseados no amor
transformam os sentimentos?
Quando os princípios se baseiam no amor, eles
dão espaço para sentimentos profundos e duradouros, como o perdão, a
aceitação e o desapego. Isso promove uma "calmaria em meio ao caos" e
a humildade necessária para reconhecer os limites humanos.
10. Qual é a conclusão do texto sobre o
controle das nossas emoções?
A jornada emocional não é um caminho de
controle absoluto, mas sim um aprendizado contínuo sobre a nossa própria
transitoriedade. O equilíbrio é alcançado quando nos tornamos observadores
conscientes de nossa existência, utilizando o amor e a reflexão como bússolas
para navegar entre o caos e a calmaria.
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