A ilusão da liberdade total
As opções da juventude
Em
minha adolescência, passei por uma transformação de personalidade muito
intensa. De extrovertido a introspectivo, de falante a calado, de seguro a
inseguro e, algo que me custou muita energia, de espontâneo ao regrado. Hoje,
falar de padrões e métricas sociais de validação, bullying e exclusão é como
fazer chover no molhado.
Certas
coisas não mudam com o tempo, mesmo em uma sociedade mais tecnológica e muito
mais complexa da atualidade. As pessoas ainda são como estações de rádio que
disseminam diferentes frequências, no caso frequências mentais para o bem ou
para o mal, o jogo do lucro pelo lucro ainda prevalece, promovendo a cultura do
consumismo e dos produtos com obsolescência planejada. Mas, o pior de tudo
hoje, é que o usufruto do tempo, de forma útil, está cada vez mais escasso.
Visão crítica
Se eu
tive momentos apropriados para ler e refletir, naquela época, o que me permitiu
me encontrar com minha ancestralidade e espiritualidade, hoje, estes momentos
foram sequestrados pelas distrações midiáticas, nas quais nossos jovens estão dominados
por telas digitais, que lhes consomem toda a energia vital, tornando-os vítimas
inconscientes de uma alienação e de um aleijamento cognitivo assustador.
Diferentemente
do que muitos acreditam, não foram as gerações antigas que planejaram esta vida
moderna, mas aqueles que assumiram o poder e a tecnologia para manipular as
pessoas, conforme seus interesses mesquinhos, restringindo o real acesso aos
avanços da ciência pura, e a todos os benefícios viáveis para que as pessoas pudessem
sobreviver com dignidade e com saúde mental. Isto porque o sistema se baseia na
insuficiência e na dependência de consumo sem fim.
Neste
sentido, o ciclo do produtivismo se tornou o paradigma dominante, na verdade,
um embuste social que contaminou todas as instâncias corporativas e núcleos
humanos, dividindo a humanidade em bolhas separadas, cada qual representando um
nicho de mercado. Onde ficou a humanidade e seu bem-estar nisso?
Esta é
a grande pergunta que não quer calar! Entretanto, não é este o problema central
dessa reflexão, mas, sim, a incapacidade deste cenário programado de vida,
superar as forças do destino, cujas opções não estão confinadas em planilhas e
metas de produtividade, mas sim, ligadas à imprevisibilidade do Grande Plano, cuja
existência molda a ordem natural do universo, que faz o sol nascer e renascer,
todos os dias, independentemente de nossos problemas ou planos.
O que preferimos escolher
Uma
coisa é aceitar passivamente as regras e padrões estabelecidos por seres
humanos, outra é compreender que a existência plena está acima de nossas
funções e metas operacionais. A sobrevivência pode não ser uma questão de
escolha, mas é o destino que determina quais opções do que fazer nesta vida a nossa
consciência pode escolher.
O
sistema coopta todo sangue novo para seu curral, tão logo as crianças possam
ser adestradas para seus interesses, como se isto fosse a única alternativa. Aí
reside o grande embuste, a grande ilusão que leva as pessoas a acreditarem que nascem
marcadas com sinais para servirem ao propósito alheio, de forma robotizada e
sem escolha.
Será
que uma pessoa com alta sensibilidade ou com alto potencial natural depende de
soluções prontas deste sistema que sequer atende às demandas básicas para uma
vida digna para todos os oito bilhões de seres humanos existentes neste mundo?
Por acaso isso é uma opção ou uma imposição? Por que alguém precisa se submeter
ao jugo de quem sequer se importa com sua segurança e integridade humana em
nível mental e espiritual? Neste ponto, o que será que aconteceu com os jovens
do passado, quando perceberam que o mundo estava se fechando sobre eles? E qual
foi a escolha tomada, nos momentos de introspecção?
O despertar do potencial humano
Se há
algo constante em nossa natureza humana, é que o despertar de nossa consciência
é catalisado pela exposição à dor e a vivência das mazelas e enfrentamentos do
mal deste mundo. Uma vez desperta, é como aprender a andar de bicicleta, algo
que nunca esquecemos mais.
A
injustiça e as dificuldades criadas no jogo ideológico da meritocracia e dos
regimes tecnocráticos, apenas reproduzem um status quo pré-definido, que
engessa talentos natos e aborta missões individuais, em troca de uma vida
programada e superficial. Isso tem um custo chamado insustentabilidade que, na
essência, provoca a indignação e aviva o real potencial humano para a liberdade
criativa e mais focada no propósito existencial. Este despertar está no limiar do transbordamento, algo que não poderá ser mais limitado pelo sistema.
Este
avivamento, contrário aos interesses do sistema, representa o poder mental
humano em mudar o botão da frequência para uma outra frequência mais elevada.
Foi esta a escolha feita que, no passado, manteve a consciência de muitos de
nós, sobre os rumos da humanidade, que hoje se traduz pela luta por princípios
e virtudes que a sabedoria intergeracional preservou e que permitiu manter o
fluxo natural do destino, cujo controle não nos pertence.
Conclusão
Este
discernimento do que é humano é a nossa sintonia com o sagrado, que nos permite
enxergar as opções diante daquilo que o homem cria, daquilo que nos está dado. Já somos providos ao vir ao mundo como um real poder para experimentarmos o fluxo da vida, em sua plenitude,
diante das opções dadas pelo destino. Ninguém pode negar que precisamos passar
pelas etapas da adaptação aos nossos tempos históricos, às demandas da
sobrevivência, mas, também, não se pode negar que o mecanismo da dificuldade e
desafios próprios da vida, ainda é a força propulsora das escolhas que
realmente podemos fazer.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1.
Como o autor descreve a transformação de sua personalidade durante a
adolescência?
O
autor relata ter passado por uma transformação intensa, migrando de um estado extrovertido
para introspectivo, de falante a calado, de seguro a inseguro e, com grande
custo de energia, de espontâneo a regrado.
2.
Qual é a metáfora utilizada para explicar a disseminação de pensamentos na
sociedade atual?
O
texto compara as pessoas a estações de rádio que disseminam diferentes frequências
mentais, podendo estas ser voltadas para o bem ou para o mal, dentro de um
contexto de complexidade tecnológica.
3.
Qual é a principal crítica feita em relação ao uso do tempo na modernidade?
O
artigo afirma que, na sociedade tecnológica atual, o usufruto do tempo de
forma útil está cada vez mais escasso, prejudicado pela cultura do
consumismo e da obsolescência planejada.
4. De
que maneira o autor diferencia a sua juventude da experiência dos jovens de
hoje?
Enquanto
o autor teve momentos para ler, refletir e encontrar sua espiritualidade, ele
observa que os jovens atuais foram sequestrados por distrações midiáticas
e dominados por telas digitais que lhes consomem a energia vital.
5.
Segundo o texto, qual é a base de sustentação do sistema social contemporâneo?
O
sistema baseia-se na insuficiência e na dependência de consumo sem fim,
manipulando a tecnologia para restringir o acesso real à ciência pura em favor
de interesses mesquinhos de quem detém o poder.
6. O
que o autor define como o "ciclo do produtivismo"?
Ele o
define como um embuste social e um paradigma dominante que contaminou
instâncias corporativas e núcleos humanos, dividindo a humanidade em bolhas
separadas que representam apenas nichos de mercado.
7. O
que representa o "Grande Plano" mencionado na obra?
O
"Grande Plano" refere-se à imprevisibilidade e à ordem natural do
universo (como o nascer do sol), que possui uma força superior incapaz de
ser confinada ou superada por planilhas e metas de produtividade humanas.
8.
Como o despertar da consciência humana é catalisado, de acordo com o artigo?
O
despertar da consciência é catalisado pela exposição à dor e pela
vivência das mazelas e enfrentamentos do mal no mundo; uma vez ocorrido, esse
despertar é um aprendizado permanente.
9. O
que significa "mudar o botão da frequência" no contexto do potencial
humano?
Significa
exercer o poder mental humano para elevar a consciência a um nível
superior, lutando por princípios e virtudes preservados pela sabedoria
intergeracional e mantendo o fluxo natural do destino.
10.
Qual é a conclusão do autor sobre a função das dificuldades na vida?
O
autor conclui que, embora existam demandas de sobrevivência e adaptação
histórica, o mecanismo da dificuldade e dos desafios é a verdadeira força
propulsora das escolhas que permitem experimentar a vida em sua plenitude.
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