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OBRA INACABADA: celebrando a jornada da escrita ao passo de um dia por vez

JORNADA DA ESCRITA: UMA OBRA INACABADA

 Manifesto para desacelerar

 

O Despertar

Desde cedo, em minha infância, tive incentivo familiar para os estudos. Meu primeiro longo texto foi um trabalho de língua portuguesa, na escola, em que, de forma espontânea, escrevi uma estória a partir de um texto básico. Me lembro que meu professor gastou um bom tempo lendo o trabalho, e depois deu um sorriso, sem falar nada.

Quase havia esquecido o episódio, mas para minha surpresa, meu pai me disse que aquele professor havia comentado com ele que eu tinha gosto pela escrita, e que aquilo era natural em mim. Em termos de reflexão sobre este ocorrido em minha jornada solitária, a pergunta que fica seria: quantos educadores, hoje, se preocupam em identificar habilidades e talentos natos de seus estudantes?

Aquela sensibilidade natural, identificada no silêncio de uma sala de aula, hoje se choca contra a força implacável e quase invisível: os algoritmos. Neste mundo pautado pelo ritmo insano da informação e pelo "embuste do produtivismo sem limites", somos frequentemente pressionados a nos transformar em produtos atraentes, vendáveis e incansáveis.

Assim, talvez por conta desse cenário de esgotamento, que o destino me proporcionou estar agora, celebrando com meus botões um marco especial no meu projeto pessoal, a publicação do livro "Jornada da Escrita: Insubordinação Mental, Autoralidade e a Decisão de Tornar-se Humano", um projeto pautado pela necessidade de fomentar a dignidade humana, onde ela está "confinada pelas conveniências do mundo" e que precisa de maior foco, inclusive, no âmbito educacional contemporâneo. A dignidade é indivisível e este livro é para todos nós, independentemente das "bolhas humanas" ou ideológicas que o mundo material tenta impor.

 

Insubordinação Mental: A Rebeldia do Desacelerar

Portanto, minha caminhada não nasceu de receitas prontas ou fórmulas mágicas de alta performance, mas de observações, reações e interpretações desta vida, ao longo de mais de meio século. Diante da necessidade vital de resgatar a autoralidade sobre a própria história, pensando, especialmente, nas gerações mais novas com quem trabalho, meus textos se voltaram para a possibilidade de exercermos uma “insubordinação mental” contra o ritmo caótico deste mundo moderno.

Desacelerar, neste contexto, deixa de ser um luxo poético para se tornar uma ferramenta de sobrevivência emocional e um ato de resistência ética contra a pressa artificial que tenta nos domesticar. a "insubordinação mental" é o que nos protege contra o "utilitarismo pragmático e o cinismo" que tentam transformar a dignidade em mercadoria.

 

A Sabedoria da Terra: O Pousio da Mente

A agronomia pode ter sido um acidente de percurso ou um destino a mim reservado pelo Criador de todas as coisas que propiciou construir uma base filosófica baseada na sabedoria da natureza e no manejo da terra. A metáfora sobre o pousio da terra, nasce desta influência de formação acadêmica: “assim como o solo exige o seu tempo de repouso absoluto para não se tornar estéril, a mente humana necessita da pausa e do silêncio para não adoecer”. Respeitar o tempo de maturação das coisas não é uma escolha intelectual, mas uma lei da natureza que a modernidade insiste em ignorar.

 

O Manifesto em Papel: Um Refúgio Analógico

Ao celebrarmos esta trajetória — que culmina agora na transição das telas digitais para o "chão da matéria" em uma obra de mais de 300 páginas —, reafirmo a aplicação de um ensinamento paterno, com o lema "devagar e sempre". As palavras, que costumam brilhar sob a luz artificial de dispositivos eletrônicos, agora buscam o refúgio analógico do papel, com peso real nas mãos, com cheiro da tinta e a textura das folhas, se reflete em um oásis concreto de silêncio, longe das notificações incessantes.

 

Essência e Ancestralidade: O Resgate do Ser

A proposta da leitura deste livro de minha autoria, a cada pessoa, em seus momentos de solitude é, acima de tudo, um convite para refletir sobre o que vem a ser o conceito de "gente de verdade". É preciso que tenhamos consciência de que nossa identidade não se resume a métricas de desempenho, crachás ou saldos bancários, mas reside na nossa essência e na transparência de nossas atitudes. Ao olharmos para baixo de nossas camuflagens materiais, encontramos um legado de sabedoria herdado de nossos antepassados, que pavimentaram o caminho com suor e abnegação para que pudéssemos fazermos nossas escolhas, com mais liberdade.

 

A Decisão Inegociável: Tornar-se Humano

Ao final desta etapa comemorativa, o desafio permanece: saberemos, um dia, como e quando teremos a coragem de descer da esteira do sistema, respirar e retomar as rédeas do nosso próprio tempo? Precisamos sentir apenas o que é existir, plenamente. A verdadeira autoralidade da vida começa com uma decisão inegociável: a decisão de, finalmente, tornar-se humano.

 

Agradecimentos finais

 

Aos leitores e leitoras do projeto Jornada da Escrita, que escolheram a insubordinação de pausar a correria dos dias para partilhar o silêncio e caminhar comigo através destas páginas.

Ao Criador de todas as coisas, pela oportunidade única da existência e por prover a sabedoria que guia e abriga os nossos corações em meio às tempestades do mundo.

A cada alma generosa que transformou este oásis de palavras em um testemunho real de gentes de verdade.

Do fundo do coração, o meu MUITO OBRIGADO!


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Assista a um vídeo anime explicativo deste texto, dentre outros, clicando AQUI

 

 


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